Califórnia, Estados Unidos

PACIFIC CREST TRAIL – nosso pedacinho deste longo caminho

Neste ano decidimos fazer um pedacinho da Pacific Crest Trail, uma longa trilha de 4200 km, que percorre a costa oeste norte-americana, indo do México (milha 0) ao Canadá (milha 2659). Esta trilha ficou popular após ser retratada no filme “Wild”, traduzido como “Livre” no Brasil.

Nosso planejamento inicial era percorrer um trecho, na Califórnia, desde Tehachapi Pass (no final do deserto) até a fronteira com o Oregon, passando pela clássica John Muir Trail, na Sierra Nevada, que dizem ser a região mais bonita da PCT. Mas nem sempre o planejado sai conforme o esperado.

Este post é um resumo de nossa caminhada e está sendo escrito quase online. Está organizado na seguinte ordem:

  1. A trilha
  2. Nossa caminhada
  3. Animais vistos
  4. Transporte
  5. Dicas
  6. Apoio

Entendendo a trilha

O maior desejo de quem se aventura na PCT é completá-la 100%. Quem consegue essa façanha no intervalo de 1 ano é reconhecido como thru hiker.

Mas também é possível ser um section hiker, e conhecer somente uma parte da PCT, que é o nosso caso.

A Pacific Crest Trail é dividida em 4 partes:

  • Sul da Califórnia ou deserto: México (milha 0) até Kennedy Meadows (milha 700)
  • Centro da Califórnia ou Sierra Nevada: Kennedy Meadows (milha 700) até Sierra City (milha 1200)
  • Norte da Califórnia: Sierra City (milha 1200) até Oregon (milha 1690)
  • Oregon: Oregon (milha 1690) até Washington (milha 2144)
  • Washington: Washington (milha 2144) até Manning Park (milha 2659)

Devemos completar 45% dos 4200 km da PCT, e estamos caminhando somente no estado da Califórnia. Até o momento a trilha está muito fácil de caminhar, sem grandes obstáculos, somente com uma ou outra árvore caída e sem escalaminhadas. Mas vale observar que deixamos o trecho mais difícil por último…

Nossa caminhada

Começamos a caminhada, sentido norte, no dia 14 de maio em Tehachapi Pass. Em nosso primeiro trecho caminhamos longos 141 km e 8 dias, com pouca água disponível no caminho. E é exatamente o mesmo trecho inicial que começa o hiking do livro Wild:

  • Trecho 1: Tehachapi Pass (milha 566) a Walker Pass (milha 652)

Logo após este trecho, depois de Walker Pass, começa o tão almejado trecho da Sierra Nevada.

Porém no inverno de 2019, nevou muito na área central da Califórnia, e em maio ainda havia muita neve em Sierra, dificultando a caminhada. Por esse motivo, depois de nosso primeiro trecho, mudamos o sentido para Sul. Nossa estratégia era “enrolar” no deserto até a neve derreter um pouco em Sierra Nevada, para depois voltarmos ao nosso plano original.

Após 77 km e 5 dias, terminamos nosso segundo trecho, passando por um gigante parque eólico.

  • Trecho 2: Tehachapi Pass (milha 566) a Hiker Town (milha 518)

Já tínhamos nos impressionados com os eólicos brasileiros do Ceará, mas o Tehachapi Wind Farm é muito mais impressionante. Nunca vimos tantos eólicos juntos em nossas vidas.

Parque Eólico Tehachapi

Seguimos na mesma direção, sentido Sul, por mais 15 dias e 241 km, até a cidade de Wrightwood. Passamos por:

  • Trecho 3: Hiker Town (milha 518) a Green Valley/Casa de Luna (milha 478)
  • Trecho 4: Green Valley/Casa de Luna (milha 478) a Agua Dulce/Hikers Heaven (milha 454)
  • Trecho 5: Agua Dulce/Hikers Heaven (milha 454) a Wrightwood (milha 369)

Nesses 15 dias vimos belas paisagens, mas sempre as mesmas belas paisagens, passo após passo, km após km, dia após dia. Essa bela monotonia somada com o calor, permitiu que o tédio se aproximasse de nós.

No quinto trecho destacamos o cume do Mount Baden-Powell. Um lugar que resume o que vimos nesses 241 km, floresta de um lado e deserto no outro.

vista para as montanhas no Mount Baden-Powell
vista do deserto ao fundo, no Mount Baden-Powell

Em Wrightwood ficamos na casa de Greg e Anitta, um casal de Trail Angels muito simpático. Conversando com eles decidimos pular a próxima etapa, Cajon Pass, que é um lugar de calor infernal. Era 16 de junho e o verão batia em nossas portas.

Gentilmente Greg nos levou até Silverwood Lake, onde conseguimos suportar o calor por mais 6 dias e 85 km do trecho abaixo:

  • Trecho 6: Silverwood (milha 329) a Big Bear (milha 278)

No meio do trecho 6, tivemos a ajuda do Deep Creek Hot Spring para nos refrescar. Uma imensa piscina natural de água fria, rodeada por várias “banheiras” de águas termais bem quentes. E ainda tem uma praia de areia, com sombra, para acampar. E outro diferencial deste lugar é o nudismo. Um monte de gente pelada que vai passar o dia por lá, misturada com os thru hikers sujinhos….

Deep Creek Hot Spring

Quando começou de fato o verão, as altas temperaturas deixaram a caminhada no Sul da Califórnia insuportável, o que nos fez sair de lá.

Em uma mistura de ônibus e trem voltamos para o Walker Pass, onde havíamos terminado o trecho 1, e no dia 26 de junho retomamos a caminhada para o norte, com 153 km, 11 dias e 2 trechos:

  • Trecho 7: Walker Pass (milha 652) a Kennedy Meadows (milha 702)
  • Trecho 8: Kennedy Meadows (milha 702) a Horseshoe Meadow/Lone Pine (milha 745)

Chegamos assim, no dia 06 de julho, no começo da Sierra Nevada, na cidade de Lone Pine.

Neste momento a neve já havia derretido bastante, mas os rios em Sierra estavam bem cheios, tornando o cruzamento dos mesmos perigoso.

Então mais uma vez mudamos nossos planos. Em um longo e caro trajeto de ônibus, fomos de Lone Pine até Etna, ao norte da Califórnia. E de lá, seguimos caminhando rumo Sul, com o objetivo de chegarmos até Lone Pine novamente.

O próximo trecho de 158 km e 9 dias, nosso 9° trecho, foi o mais prazeroso e longo da Pacific Crest Trail, pelo menos até o momento.

Foi lá que conhecemos, de longe no horizonte, o grandioso e nevado Mount Shasta, que nos acompanhou todo o caminho, junto com graciosos lagos.

  • Trecho 9: Etna (milha 1597) a Castella (milha 1499)
Mount Shasta ao fundo

O que é bom dura pouco… Caminhando dentro da floresta, sem lagos e com raros momentos de paisagens, os 132 km e 8 dias de nosso 10° trecho foi eleito o mais entediante de todos. Nem tudo são flores…

  • Trecho 10: Castella (milha 1499) a Burney Falls (milha 1417)

Depois da chatice do 10° trecho decidimos pular um pedaço da PCT. Com ajuda das formidáveis caronas fomos para nosso 11° trecho, onde caminhamos pelo Lassen Volcanic National Forest. Neste parque presenciamos a atividade vulcânica através do Boiling Springs Lake e o Terminal Geyser.

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Por enquanto nossa caminhada está assim:

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Daqui a pouco tem mais sobre a PCT por aqui. Este post será atualizado conforme caminhamos…

Animais

Além das paisagens, os animais que encontramos na natureza fazem toda a diferença. Podem tornar um dia sem graça, em um dia fabuloso.

Encontramos alguns animais na Pacific Crest Trail. O mais impressionante de todos, não conseguimos registrar digitalmente, mas nossa memória jamais irá esquecer nosso primeiro encontro com um urso… Encontramos ele ainda no deserto da Califórnia. E ficamos sem entender como aquele bicho peludo estava suportando aquele calor infernal.

Outros animais são mais fáceis de serem fotografados, como os tranquilos veados. Encontramos vários no Shasta-Trinity National Forest (trechos 9 e 10).

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veado

No Inyo National Forest (trecho 8), várias marmotas cruzaram a trilha. Foi o maior número de animais que vimos de uma vez. Apesar de todos fugirem de nós, conseguimos captar alguma imagem.

Roedor
marmota

Os pássaros azuis também nos encantaram. Conseguimos identificar dois: California Scrub-Jay e Steller’s Jay Bird.

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California Scrub-Jay
Bird 1
Steller’s Jay Bird

E as cobras… Não podemos descuidar de nossas pisadas para não tropeçar neste réptil.

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cobra cascavel

Assim que aparecerem mais animais pela trilha, atualizamos por aqui.

Transporte

O ônibus nos EUA é muito caro. Financeiramente, o ideal é caminhar toda a Pacific Crest Trail sem pular nenhuma etapa, ou quando decidir pular, usar somente caronas como meio de transporte.

Nós pulamos um longo trecho da PCT e seria muito complexo tentarmos nos locomover de carona, então pagamos caríssimo esse deslocamento em ônibus. De Lone Pine até Etna desembolsamos o equivalente a R$ 835 cada um. Caríssimo!!!

Dicas

  • Há alguns aplicativos de celular da Pacific Crest Trail. Nós usamos o gratuito. Importante iniciar o download do app gratuito, pelo menos uma semana antes de iniciar a trilha. É muito demorado o download completo. Com ele é possível se planejar e navegar pela trilha.
  • Se tiver Facebook, entre no Pacific Crest Trail Class do ano atual. Há várias informações sobre as condições da trilha e também é possível pedir carona.
  • Outro modo de se planejar é pelo site http://www.pctplanner.com
  • Também é possível baixar o tracklog de toda a trilha em https://www.pctmap.net/gps/
  • Atualize o Water Report (https://pctwater.com/) sempre que tiver internet e faça o planejamento conforme o fluxo de água.
  • A Pacific Crest Trail é o habitat de ursos. Pendure sua comida em árvores ou use o Bear Canister para guardar tudo que tem cheiro, inclusive pasta de dente. E não deixe sua mochila com comida largada sozinha em nenhum momento. Nem para ir ao banheiro. Um guarda parque nos falou que um hiker teve sua mochila roubada por um urso e a mochila foi encontrada um ano depois toda destruída.

Apoio

Nesta exploração pela Pacific Crest Trail estamos usando camisetas e calças fornecidas pela UV.LINE.

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nós e a UV.LINE

Além da proteção solar, as roupas da UV.LINE são leves, duráveis e de secagem rápida.

Minhas luvas, minha primeira experiência com esta marca, já percorreram mais de 2300 km e meu legging, 1700 km. Depois de um dia caminhando e suando, as camisetas estão incrivelmente quase sem odor. E a calça do Ramon é perfeita para ele, com vários bolsos, super leve e ainda vira bermuda.

Já éramos clientes das roupas UV.LINE, e depois da experiência em usá-las diariamente, temos a certeza da ótima escolha que fizemos.

Quer mais?

Nós, Paula Yamamura e Ramon Quevedo, estamos curtindo uma vida sabática desde 2017, focando no que mais gostamos de fazer: viajar trilhando.

Nos acompanhe também em:

 

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