Califórnia, Estados Unidos

PACIFIC CREST TRAIL #1 – Tehachapi Pass (566 mi) a Walker Pass (652 mi)

Em 2019 decidimos fazer um pedacinho da Pacific Crest Trail, uma longa trilha de 4200 km, que percorre a costa oeste norte-americana, e vai do México ao Canadá. Esta trilha ficou popular após ser retratada no filme “Wild”.

O resumo desta caminhada está descrito no post principal “Pacific Crest Trail – nosso pedacinho deste longo caminho“.

Neste relato segue nossa primeira caminhada, pelo Sul da Califórnia, sentido norte, de Tehachapi Pass até Walker Pass, passando por Sequoia National Forest.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja o vídeo em nosso canal do YouTube:

Como chegamos

Voamos de São Paulo aos Estados Unidos pela American Airlines. Nosso aéreo iria para Las Vegas, com uma parada em Los Angeles. Saltamos em Los Angeles. Ficou mais barato comprar um aéreo para Las Vegas e saltar em Los Angeles, do que comprar um aéreo direto para Los Angeles. Vai entender…

Para sair do aeroporto de Los Angeles, pegamos um transfer gratuito até o metrô, onde compramos e abastecemos dois cartões TAP (US$ 2 cada). Com este cartão podemos usar metrô e ônibus coletivo pela cidade.

Ficamos duas noites em Los Angeles, o suficiente para abrir uma conta bancária no Bank of America, comprar alguns equipamentos na REI, conhecer o pier Santa Monica e a calçada da fama. Conhecemos tudo de metrô e ônibus. Ficamos hospedados em um Airbnb bem simples, apertado e caro.

Pier Santa Monica

De Los Angeles fomos de ônibus até Bakersfield. Fizemos compras de comida para trilha, resgatamos dinheiro no banco e aproveitamos a cama no Econolodge Motel.

Abastecimento

Compramos comida para 15 dias de trilha.

Foram 7 dias na mochila, para nosso primeiro trecho e o restante foi enviado para Kennedy Meadows General Store pelo Correios. Para facilitar, despachamos toda a comida em nossos Bear Canisters.

Bear Canister é um recipiente projetado para ser à prova de ursos. Devemos armazenar toda a comida nele, e seu uso é obrigatório em alguns trechos da PCT, como a Sierra Nevada. Kennedy Meadows é a porta de entrada para Sierra Nevada.

Para nosso primeiro trecho, como enfrentaríamos longos trechos sem água, caprichamos no estoque líquido para nossa primeira caminhada. Estávamos com 14 litros de água para nós dois. Talvez um pouco de exagero.

Resumo do trekking

  • País: Estados Unidos
  • Cidades próximas: Los Angeles, Bakersfield, Tehachapi
  • Início: Tehachapi Pass
  • Fim: Walker Pass
  • Distância total: 135 km
  • Duração: 8 dias
  • Subida acumulada: 5170 metros
  • Descida acumulada: 4795 metros
  • Altitude máxima: 2140 metros
  • Tracklog: Wikiloc
  • Período do trekking: meados de maio de 2019
  • Dificuldade: Moderada Pesada

Roteiro

Fizemos o trekking em 7 noites e 8 dias, como segue:

  1. 566 mi (Tehachapi pass) a 571 mi
  2. 571 mi a 583 mi (Golden Oaks Spring)
  3. 583 mi (Golden Oaks Spring) a 593 mi
  4. 593 mi a 604 mi (Cottonwood Creek)
  5. 604 mi (Cottonwood Creek) a 616 mi (Kelso Valley Road)
  6. 616 mi (Kelso Valley Road) a 631 mi (Bird Spring Canyon Road)
  7. 631 mi (Bird Spring Canyon Road) a 644 mi (Mclvers Spring)
  8. 644 mi (Mclvers Spring) a 652 mi (Walker Pass)

Dia 1: 566 mi (Tehachapi Pass) a 571 mi

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida acumulada
Descida acumulada
Altitude máxima
Dificuldade

7 km
2h15min
476 metros
53 metros
1585 metros
Leve Moderada

Segue a elevação do dia 1.

Depois de duas horas no ônibus desde Bakersfield, descemos exatamente por onde passa a Pacific Crest Trail, na rodovia 58.

Subimos a colina praticamente paralela à rodovia. Do outro lado da rodovia, inúmeros eólicos giravam com o ritmo da ventania. Nunca vi tantos eólicos juntos.

Vista para Tehachapi Wind Farm

Foi neste ponto que a escritora do livro “Wild” começou sua trajetória na Pacific Crest Trail.

Um pouco de caminhada e flores aparecem ao lado da trilha com inúmeras borboletas!

Nos distanciamos um pouco da civilização e logo acampamos. Como começamos a caminhada tarde, andamos pouco neste dia. Neste trecho não havia nenhum ponto de água.

Dia 2: 571 mi a 583 mi (Golden Oaks Spring)

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida acumulada
Descida acumulada
Altitude máxima
Dificuldade

19 km
5h40mim
782 metros
679 metros
1882 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 2.

Continuamos na trilha, subindo levemente o morro. Trilha muito fácil, sem grandes desníveis e obstáculos. A rodovia fica para trás, e as flores continuam presentes. Dá quase para esquecer que estávamos no deserto. Só um detalhe nos faz relembrar: não havia água.

Passamos ao lado de um parque eólico e seguimos por uma trilha estreita até chegarmos em um ponto de água chamado de Golden Oaks Spring.

Parque Eólico

Carregamos desde o começo 4 litros de água desnecessários. Durante os 2 dias e 30 km até a água, consumimos 10 litros dos 14 litros iniciais.

Coletamos nossa água e acampamos alguns metros voltando na trilha. Neste dia foi possível tomarmos nosso primeiro banho de garrafa na Pacific Crest Trail.

Por todo o dia a paisagem do deserto estava presente. E apesar de não caminharmos na floresta, há vários momentos de sombra.

A noite foi um pouco mais fria que a anterior. Dessa vez o saco de dormir ficou meio aberto.

Dia 3: 583 mi (Golden Oaks Spring) a 593 mi

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida acumulada
Descida acumulada
Altitude máxima
Dificuldade

15 km
4 horas
440 metros
590 metros
1688 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 3.

Acordei às 5h45min, praticamente no nascer do Sol. Infelizmente um chuvisco caía. Nem parecia deserto, pelo menos os desertos que conhecemos, como Atacama e Saara, super áridos e com a areia predominando no solo.

Além da chuva, o frio e o vento nos obrigaram a ficar dentro da barraca até 10h30min, quando a chuva deu uma ligeira trégua.

Mal demos os primeiros passos e a trégua foi quebrada. Começou a chuviscar novamente. Nos abastecemos de água, completando 10 litros de estoque, no Golden Oaks Spring, e seguimos.

No caminho pequenos cristais caíam do céu, fiquei na dúvida se era neve ou mini-granizos. Com o vento batendo em nossos rostos, os pequenos cristais pareciam pedras. Se nevou no deserto, fiquei imaginando como estaria na Sierra Nevada.

Nos pés, pedrinhas de verdade insistiam em pegar uma carona na minha bota. Uma polaina viria bem a calhar, talvez eu compre uma na próxima oportunidade.

Seguimos pelo deserto molhado, passando ao lado de outro parque eólico. Imagem bonita da crista da montanha sendo desenhada pelos ventiladores gigantes.

mais um parque eólico

Depois de 2 horas de caminhada, a chuva enfim, deu uma trégua, e até um pouco de Sol apareceu timidamente no céu nublado.

Chegamos no camping site 593. Nosso objetivo era caminhar mais 3 km neste dia, mas no horizonte uma nuvem escura se agigantava. Então ficamos por lá mesmo. A noite foi bem fria e ventosa. Noite para dormir de calças, blusas e saco de dormir fechado.

Dia 4: 593 mi a 604 mi (Cottonwood Creek)

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida acumulada
Descida acumulada
Altitude máxima
Dificuldade

18 km
5 horas
935 metros
488 metros
2010 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 4.

Também passamos por:

  • Sequoia National Forest

Os primeiros raios de Sol nos enganaram. Tudo parecia que seria um dia ensolorado, mas então as nuvens apareceram e dominaram o céu novamente. O vento também continuava, deixando o dia mais frio ainda. Saímos encapuzados e seguimos na trilha.

Trecho com muitas árvores caídas ao lado da trilha, nos lembrou Patagônia.

Passamos pela entrada da Robin Bird Spring, mas como estávamos com água suficiente para o dia, não pegamos água. Havíamos visto no Water Report que haveria água no próximo ponto.

sinalização na trilha

Quando percebemos já estávamos no Sequoia National Forest. Caminhamos em um bosque bem agradável e para melhorar as nuvens deram uma trégua, e o Sol nos aqueceu.

Acampamos ao lado do Cottonwood Creek. Aproveitamos para lavar roupa em nosso balde impermeável e, com muita coragem tomamos banho de garrafinha. Mais uma noite fria na Pacific Crest Trail.

Dia 5: 604 mi (Cottonwood Creek) a 616 mi (Kelso Valley Road)

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida acumulada
Descida acumulada
Altitude máxima
Dificuldade

19 km
5h20min
519 metros
992 metros
2066 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 5.

Também passamos por:

  • Sequoia National Forest

Enfim o dia amanheceu sem nuvens. E a roupa que deixamos secando congelou durante a noite. Tivemos que ir secando-as no caminho, penduradas em nossas mochilas.

Foi muito agradável caminhar na floresta com alguns córregos de água.

No caminho cruzamos com um senhor que nos deu uma informação importante, havia garrafões de água no trecho mais seco desta etapa. Com isso poderíamos caminhar mais leves hoje e amanhã. Era sábado, talvez o final de semana incentivasse mais a ação dos trail angels.

Seguimos até chegarmos em uma rodovia próxima ao Landers Camp, onde fizemos um pequeno desvio para coletar água. Até agora a água mais límpida que pegamos. Neste local é possível acampar e alguns motorhomes aproveitavam o lugar. Lá encontramos um trail magic. Estavam servindo refeições para os hikers. Com nossas mochilas pesadas de comida, dispensamos a comilança free.

Voltamos para a trilha, e a vegetação mudava novamente. Desta vez um antigo incêndio florestal dava a sua cara. Passado o incêndio, vimos coelhos de orelhas gigantes, esquilos, pica-pau e lindas aves azuis. Depois outra mudança na paisagem, estávamos novamente em uma região árida, com uma bela paisagem do vale.

Mais um pouco de caminhada e chegamos no Kelso Valley Road, onde encontramos vários garrafões de água. Aliviados, acampamos em um cantinho perto da água.

acampando próximo da estrada

Dia 6: 616 mi (Kelso Valley Road) a 631 mi (Bird Spring Canyon Road)

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida acumulada
Descida acumulada
Altitude máxima
Dificuldade

24 km
6h15min
834 metros
720 metros
1822 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 6.

Dia um tanto quanto chato. Caminhamos até o próximo cachê de água (onde fica os garrafões) sempre com a mesma paisagem do deserto nos acompanhando. Além do vento que estava sempre presente, começou a nevar. Caiu muita neve. Nunca vi tantos flocos de neve caindo do céu.

Quando chegamos no próximo cachê de água já havia umas 3 barracas ocupando um bom lugar da acampamento. Montamos nossa barraca embaixo de neve em um local um pouco afastado das 3 barracas. Em pouco tempo muita neve acumulou no teto de nossa barraca.

E o vento não deu trégua. Durante a noite o vento ficou tão forte que às 23 horas os specs de nossa barraca voaram. Foi uma correria para conseguirmos montar a barraca novamente.

Dia 7: 631 mi (Bird Spring Canyon Road) a 644 mi (Mclvers Spring)

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida acumulada
Descida acumulada
Altitude máxima
Dificuldade

21 km
5h50min
1012 metros
608 metros
2140 metros
Moderada Pesada

Segue a elevação do dia 7.

Quando acordamos boa parte da neve havia derretido próximo da barraca, mas a ventania e o frio continuavam de vento em pompa.

Subimos a montanha e quanto mais alto, mais neve havia. A paisagem das montanhas desérticas continuava bonita.

na trilha

Começamos a descer, entramos em uma estrada de terra, por onde caminhamos um tempinho. Antes de voltarmos para a trilha, a estrada nos levou para uma fonte de água, onde há uma cabana que serve de abrigo. Havia somente nós e mais uma inglesa no local. Montamos nossa barraca e passamos a noite por lá.

Dia 8: 644 mi (Mclvers Spring) a 652 mi (Walker Pass)

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida acumulada
Descida acumulada
Altitude máxima
Dificuldade

12 km
2h50min
174 metros
661 metros
2113 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 8.

Passamos por:

  • Sequoia National Forest

Somente quando acordamos é que percebemos que tivemos uma visita à noite. Um buraco na barraca e nosso saco de comida destroçado por um roedor. Nunca aprendemos esta lição… Tem comida? Pendure-a.

Pegamos água o suficiente para uma caminhada de meio-dia e seguimos para Walker Pass, onde a trilha cruza com uma estrada que liga Lake Isabella e Ridgecrest. Ao lado da estrada há um local para acampamento com banheiros e galões de água deixados por almas generosas. O acesso pode ser feito de carro. Como ventava muito, nem cogitamos em acampar por lá.

Walker Pass

Fomos para estrada, tiramos foto da placa do Walker Pass e logo parou um carro oferecendo carona para Ridgecrest. Era um casal com dois cachorros que falava um inglês muito rápido. Socorro…. Entendemos metade do que disseram, o suficiente para entender que a próxima semana será de chuva e deveríamos sair da montanha.

Dicas

Custos

Seguem alguns custos em dólares americanos (USD) e equivalentes em reais (BRL), conforme o câmbio que fizemos.

Hospedagem

  • Airbnb em Los Angeles, diária casal: $USD 63 ($BRL 256)
  • Ecnolodge Motel em Bakersfield, com café da manhã, diária casal: $USD 49 ($BRL 199)

Transporte

  • Ônibus de Los Angeles a Bakersfield, individual: $USD 37 ($BRL 149)
  • Ônibus de Bakersfield a Tehachapi Pass, individual: $USD 5 ($BRL 20)

Equipamentos

  • Bear Canister na loja REI: $USD 80 ($BRL 326)
  • na loja REI: $USD 20 ($BRL 81)
  • Squeeze 2 litros na loja REI: $USD 9 ($BRL 36)

Mercado e Restaurantes

  • Comida para trilha no Walmart, média individual diária: $USD 7 ($BRL 28)
  • Refeição em Bakersfield, frango teryaki individual: $USD 8 ($BRL 31)

Dados sabáticos

2892 km trilhados
64 cidades
5 países
1 ano e 11 meses

Quer mais?

Nós, Paula Yamamura e Ramon Quevedo, estamos curtindo uma vida sabática desde 2017, focando no que mais gostamos de fazer: viajar trilhando.

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