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No verão de 2021 nós, Paula e Ramon, tivemos mais uma temporada na Patagônia, nosso lugar preferido do planeta. Devido às restrições da pandemia do coronavírus, nossa 8ª viagem sabática foi uma jornada tímida de 2 meses percorrendo as trilhas próximas de Pucón, no Chile.
No 17º dia de nossa viagem, depois de conhecermos o Santuario El Cañi, nos deslocamos até o setor Puesco do Parque Nacional Villarrica, localizado na cidade Curarrehue, a 60 km de Pucón. Nosso objetivo era percorrer a Villarrica Traverse, mas fomos impedidos pela neve, e acabamos conhecendo um outro atrativo: o Colmillo del Diablo.
O Parque Nacional Villarrica se encontra no Sul do Chile, nas comunas de Villarrica, Pucón, Curarrehue e Panguipulli. Sendo Pucón a principal cidade para receber os turistas. Sua atração mais famosa é, sem dúvidas, o vulcão Villarrica, característico por seus 2.847 metros de altura e por ser um dos mais ativos da América do Sul. Além do vulcão Villarrica, o parque também engloba os vulcões Lanín, Quetrupillán e Quinquilil. Este último também é conhecido como Colmillo Del Diablo.
As principais trilhas do parque são:
- Mirador Los Cráteres
- Sendero de Chile tramo Challupén-Chinay
- Glaciar Pichillancahue
- Volcán Quinquilil / Colmillo del Diablo
- Lagos Andinos
- Villarrica Traverse
Neste relato detalhamos a última parte do Villarrica Traverse, onde fica a Laguna Las Avutardas e a trilha ao vulcão Quinquilil.
Você também pode ver esta trilha no YouTube:
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- Resumo
- Clima
- Como chegamos
- Relato da trilha
- Observações
- Custos
- Outras fontes
- Dados sabáticos
- Valeu?
- Quer mais?
Resumo
- País: Chile
- Região: Araucanía
- Comunas: Pucón, Curarrehue
- Início e Fim: Camino Internacional 199, Camping Villarrica Traverse
- Distância total: 33 km
- Duração: 3 dias
- Período: final de dezembro de 2020
- Tracklog: Wikiloc
- Previsão do tempo: Windguru
Segue o nosso percurso no mapa e o perfil de elevação.

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Clima
Na minha opinião, a melhor época para caminhar pelas trilhas desta região é entre janeiro a meados de abril, quando não há neve e as temperaturas estão mais agradáveis. Dependendo da quantidade de neve gerada no inverno de cada ano, é possível encontrar neve nas montanhas em dezembro, tornando a caminhada em trilhas lenta, difícil e/ou perigosa. Em maio a temperatura cai bastante e a neve ressurge no cenário.
Vale observar que em janeiro é quando tudo fica lotadíssimo, principalmente nas cidades. Se não gostar da multidão, tente evitar a região próximo a esse período.
Deixo aqui o link da previsão do tempo no Mirador Quinquilil: Windguru.
Para você ter uma ideia, abaixo segue um histórico do clima durante o ano em Curarrehue, a 25 km do setor Puesco no Parque Nacional Villarrica (fonte MSN).
| Mês | Temperatura (ºC) | Precipitação máx. (mm) |
| Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro |
13 a 25 13 a 26 12 a 23 9 a 18 7 a 13 5 a 10 4 a 10 4 a 11 5 a 13 6 a 16 7 a 19 10 a 22 |
31 29 43 69 105 165 133 130 90 74 45 43 |
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Como chegamos
Em dezembro de 2020, começamos nossa 8ª viagem sabática pelo aeroporto de Santiago, capital do Chile. Depois de uma noite na grande metrópole, partimos de ônibus para Pucón em uma longa viagem rodoviária de 11 horas.
Ficamos 1 mês na região de Pucón explorando as trilhas arredores e tentando ver o nublado Eclipse Solar Total de 2020. Uma das caminhadas que fizemos, começou no setor Puesco do Parque Nacional Villarrica, onde conhecemos a Laguna Las Avutardas e o vulcão Quinquilil (ou Colmillo del Diablo).
Para chegar ao início da trilha, saímos de Pucón em um ônibus até Curarrehue. Os ônibus são diários e saem a cada 30 minutos no terminal. Depois de 45 minutos chegamos no ponto final em Curarrehue. Em Curarrehue, fomos perguntar se havia algum ônibus até Puesco. Eram 11 horas de uma quinta-feira. Para cada pessoa que perguntávamos tínhamos informações diferentes. Alguns falaram que haveria um ônibus às 16 horas, e outros falaram que não haveria ônibus. Então um táxi passou por nós. Era o único taxista de Curarrehue. Para garantir, acenamos para o taxista e ele nos levou pelo Camino Internacional 199-CH, até o camping Villarrica Traverse, no setor Puesco do Parque Nacional Villarrica, por $CLP 17000 ($BRL 94).
Antes do táxi nos deixar no início da trilha, paramos na portaria do Parque Nacional Villarrica, e pagamos a entrada de $CLP 3600 cada um ($BRL 20).
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Relato
Fizemos a caminhada em 2 noites e 3 dias, como segue:
- Camping Villarrica Traverse → Laguna Las Avutardas
- Laguna Las Avutardas → Mirador Quinquilil → rio Puesco
- rio Puesco → Camping Villarrica Traverse
Dia 1: Camping Villarrica Traverse → Laguna Las Avutardas
| Distância Tempo sem paradas Subida acumulada Descida acumulada Altitude máxima |
12 km 4h30min 1150 metros 760 metros 1590 metros |
O táxi nos deixou na frente dos recém construídos cafeteria e camping Villarrica Traverse. Atrás do camping é onde inicia as trilhas para a Laguna Las Avutardas, Mirador do Vulcão Quinquilil (também conhecido como Colmillo del Diablo), e Villarrica Traverse.
A caminhada começa em quase uma rua de terra, onde é possível ver marcas de pneus. Segue subindo protegida por um bosque, com alguns pequenos trechos de lama. Foram 3 km até chegarmos em uma bifurcação onde a trilha se divide. À direita está o mirador do vulcão Quinquilil, e à esquerda a Laguna Las Avutardas e a Villarrica Traverse.
Seguimos em direção à laguna. A partir deste ponto a rua com marcas de pneus fica para trás e seguimos no bosque em uma trilha bem demarcada. Entre as árvores foi possível avistar o Vulcão Quinquilil.

Foram mais 6,5 km até as Lagunas Las Avutardas. A maior parte da trilha foi dentro do bosque passando por um ou outro trecho com lama, e algumas árvores caídas. Um pouco antes da laguna, montanhas nevadas começam a aparecer no horizonte, quando passamos por um grande gramado alagado.

Depois de 9 km e um desnível de 420 metros, desde o camping Villarrica Traverse, chegamos na Laguna Las Avutardas, onde podemos descansar em uma pequena praia de areia embaixo de um Sol de lascar.

O dia estava propício para um ti-bum, mas acabamos seguindo mais um pouco. Queríamos acampar em um lugar onde o MapsMe apontava como Volcano View. Teríamos que caminhar 4 km e subir mais 210 metros.

Voltamos para a trilha, passamos pelo terreno alagado, pulamos alguns riachos e contornamos a laguna. Passamos por um bom lugar de acampamento e começamos a subir novamente.
Foi quando vimos a neve. A subida ficou mais inclinada e a neve tomava conta de toda a trilha. Estava bem escorregadio, e tínhamos que subir nos agarrando em arbustos, galhos e troncos. Foi um momento que denominamos de perrengue. E nós não gostamos de perrengue. A ideia inicial era continuarmos a caminhada e fazer metade da Villarrica Traverse. Mas devido à neve escorregadia, desistimos. Teríamos outras oportunidades para retornarmos nas próximas semanas, quando a neve estaria derretida, e curtir a travessia como deve ser.
Antes de desisitirmos, vimos o vulcão Lanín querendo aparecer no horizonte.

Naquele dia, voltamos aproximadamente 600 metros na trilha e acampamos em um cantinho no meio do bosque, próximo de um riacho.
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Dia 2: Laguna Las Avutardas → Mirador Quinquilil → rio Puesco
| distância tempo sem paradas subida acumulada descida acumulada altitude máxima |
17 km 7 horas 1390 metros 1820 metros 1800 metros |
Acordamos e voltamos pela mesma trilha que viemos.

Fomos até a bifurcação entre as trilhas para a Laguna Las Avutardas e o Volcán Quinquilil, e então seguimos para Quinquilil.
A trilha volta a ser uma rua de terra com marcas de pneu. E segue assim até encontrarmos o rio Puesco. Naquele ponto, o rio não estava muito fundo (na altura do joelho), e sua correnteza era quase suave. Com o solo coberto de pedras, convém atravessá-lo com um solado apropriado. Eu atravessei com sandálias tipo Crocs, e foi tudo bem.
Deixamos nossas mochilas próximo do rio, e seguimos com uma mochila de ataque até o mirador Quinquilil. Encontramos uma casinha de madeira fechada com um currau ao lado. A grama crescida indicava que cavalos e gados estavam ausentes ultimamente.
Seguimos por uma subida bem sofrida. Depois do rio foram 4 km e um desnível surreal de 755 metros. A trilha seguiu dentro do bosque e era incrivelmente inclinada. Até que saímos do bosque, e encontramos uma mancha considerável de neve, onde saia um fiozinho de água. Coletamos a água gelada e foi um alívio, pois nossa água estava acabando.

Passamos por um platô, e logo a subida começou novamente. Já era possível ver o imponente Vulcão Lanín atrás de nós, o Quinquilil na frente, o Cerro Las Peinetas à direita, e montanhas nevadas à nossa esquerda.

O curioso foi ver um empilhado de pedras formando um muro quase perfeito no meio da trilha.

Subimos com as paisagens crescendo até o mirante. Uma placa indicava o final do Sendero Quinquilil.

A vista do mirante é muito bonita. Valeu cada passo. Além do Lanín e Quinquilil, vimos o Lago Tromen, e o Cerro Las Peinetas. Até lugar para acampar havia.


Curtimos o belo mirante, e descemos para o rio pela mesma trilha, onde nossas mochilas nos aguardavam. Montamos nossa barraca por lá mesmo. Já eram 19 horas, e em pleno verão, o Sol ainda reinava no céu.
E ainda deu tempo de tomarmos um belo banho morno. Antes de subirmos para o mirante, deixamos nossas garrafas cheias de água, tomando Sol. Assim quando voltamos a água estava uma delícia, na temperatura ideal. Foi um ótimo modo para finalizarmos o dia.
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Dia 3: rio Puesco → Camping Villarrica Traverse
| Distância | 4 km |
Neste dia voltamos pela mesma trilha do primeiro dia e fomos até a estrada, onde está o camping Villarrica Traverse.
Naquele momento, estávamos na dúvida se tentaríamos ir embora para Pucón, ou se iríamos conhecer algumas lagunas que ficavam a uns 8 km de lá. Mas ao chegarmos no camping, conhecemos o Oswaldo, um simpático chileno, que nos ofereceu carona até Pucón. Achamos melhor aproveitar a oportunidade, pois não tínhamos certeza se haveria transporte público em Puesco. E para piorar, lá não havia sinal de celular para pedir um táxi. Na pior das hipóteses teríamos que caminhar 26 km até Curarrehue, e de lá ir de ônibus até Pucón. Decidimos aceitar a carona.
Em Pucón, esperamos alguns dias para tentarmos novamente a famosa Villarrica Traverse.
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Observações
- O transporte público para chegar até o início da trilha em Puesco é precário. Mas sempre há a opção mais barata, que é a carona, e a opção, mais cara, que é o táxi. Mas diz a lenda que há um ônibus que percorre o trajeto entre Curarrehue e a portaria do setor Puesco do Parque Nacional Villarrica.
- Há uma cafeteira e um camping privado no final da Villarrica Traverse. É uma boa opção como apoio no final da trilha.
- A trilha é muito bem demarcada. Não sentimos necessidade de olhar o mapa durante a caminhada. Mas como não custa nada, sempre é bom baixar um tracklog no celular, só para garantir. Deixo aqui o link de nosso tracklog: Wikiloc.
- Não se esqueça de levar dinheiro físico para pagar a entrada do parque.
- Caso queira se aventurar nesse destino, te desejo boa sorte, ou bons ventos como estão dizendo por aí ultimamente. Lembrando que cada um tem que se auto-avaliar para entender se tem condições físicas, psicológicas e técnicas para se enfiar na natureza. O que é fácil e divertido para alguns, pode ser um grande desafio e chato para outros.
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Custos
Seguem alguns custos em pesos chilenos (CLP) e equivalentes em reais (BRL), conforme o câmbio local e preço da época (dezembro de 2020).
- Comida para trilha, mercado em Pucón, média diária individual: $CLP 3967 ($BRL 22)
- Ônibus, de Pucón até Curarrehue, individual: $CLP 1200 ($BRL 7)
- Táxi, de Curarrehue até Puesco: $CLP 17000 ($BRL 96)
- Entrada no Parque Nacional Villarrica, individual: $CLP 3600 ($BRL 20)
- Hostal Kutralwe, em Pucón, diária casal, quarto com banheiro privado e cozinha compartilhada: $CLP 19000 ($BRL 107)
- Refeição em restaurante, em Pucón, almoço individual com refrigerante: $CLP 13400 ($BRL 76)
Cotação comercial em 24/12/2020:
$USD 1,00 = $BRL 5,22 = $CLP 714,38
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Outras fontes
Está fazendo uma pesquisa para sua viagem? Sempre é bom ler mais de um website. Deixo abaixo alguns links que encontrei sobre o setor Puesco do Parque Nacional Villarrica.
Mirador del Volcán Quinquillil o Colmillo del Diablo – Wikiexplora
Dados sabáticos até aqui
| 6430 km trilhados 155 cidades 8 países 3 anos e 6 meses |
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