Argentina, Neuquén

LAGO PAIMÚN AO LAGO LOLOG – travessia no Parque Nacional Lanín

Depois de irmos até a base da face Sul do vulcão Lanín, partimos para nossa primeira travessia no Parque Nacional Lanín, com início no lago Paimún, onde estávamos acampados, e finalizando no lago Lolog.

O Parque Nacional Lanín foi criado em 1937 na Argentina, protegendo 412 mil hectares de floresta andino-patagônica.

Como chegamos

De ônibus, saímos da Villa La Angostura e fomos até San Martín de Los Andes. E de lá, com outro ônibus e mais 1 hora de viagem, chegamos em Junín de Los Andes. Os ônibus saem diariamente em vários horários.

Chegamos em Junín em uma sexta-feira à tarde. Não vimos nada de interessante para se fazer nesta cidade. Estávamos na última semana de dezembro, e haviam somente dois horários de ônibus para o Parque Nacional Lanín: sexta-feira e domingo, ambos os dias às 13h15. Em janeiro a frequência de ônibus ao parque muda, saindo ônibus todos os dias.

Sem muito o que fazer, tivemos que aguardar o ônibus até domingo, e ficamos duas noites em Junín, no camping Mallin.

No domingo, seguimos rumo ao Parque Nacional Lanín. Descemos no ponto final do ônibus, que fica no meio entre os lagos Huechulafquen e Paimún. No lago Paimún, moradores atravessam os visitantes em botes, para iniciar a travessia até o lago Lolog ou para acampar no camping Ecufue. E pasmem, há internet neste camping.

Resumo do trekking

  • País: Argentina
  • Cidades: Junín de los Andes, San Martín de los Andes
  • Início: camping Ecufue, lago Paimún
  • Fim: Villa Lolog, lago Lolog
  • Distância total: 91 km
  • Duração: 6 dias
  • Subida acumulada: 3743 metros
  • Descida acumulada: 3844 metros
  • Altitude máxima: 1721 metros
  • Mapa da trilha: Wikiloc
  • Período do trekking: início de janeiro de 2019
  • Dificuldade: Moderada Pesada

Roteiro

Fizemos o trekking em 5 noites e 6 dias, como segue:

  1. camping Ecufue ao povoado Aila
  2. povoado Aila às Termas Lahuen Co
  3. Termas Lahuen Co à laguna Verde
  4. laguna Verde ao refúgio Rincon de los Pinos
  5. refúgio Rincon de los Pinos ao refúgio Auquinco
  6. refúgio Auquinco à Villa Lolog

Seguem mapa e elevação do trekking:

Dia 1: camping Ecufue – camping Aila

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
9,6 km
3 horas
490 metros
458 metros
1124 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 1.

Dia de caminhada tranquilo.

O começo da trilha fica atrás das casas do camping Ecufue. Logo as marcações branco-azul da Huella Andina aparecem para indicar o caminho. Estamos na etapa 9 da Huella Andina.

Uma rápida subida, e um trajeto longo e plano aparece. Praticamente ficamos dentro do bosque todo o tempo, passando por um riacho no caminho.

Vimos paisagem com o grandioso vulcão Lanín somente na subida inicial e na descida final, quase chegando no povoado Aila.

Achei que Aila seria um povoado com vários moradores, mas vimos somente três casas. O camping que eles oferecem por $ARS 90 é bem rústico. Consta somente com uma larga mesa e bancos de madeira em cada lado, e um banheiro seco, ou seja, um buraco no chão privado. Para pegar água, somente no riacho. A grande vantagem é ficar ao lado do lago Paimún com uma magnífica vista do vulcão.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja em nosso canal do YouTube:

Dia 2: povoado Aila – Termas Lahuen Co

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
17,4 km
5h30min
592 metros
590 metros
1134 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 2.

Dia bem monótono. Nos despedimos do Lanín e continuamos a trilha dentro do bosque. Um pouco de sobe e desce, e só saímos do bosque depois de 11 km, quando chegamos na estrada. Trajeto extremamente chato, sem paisagens, com troncos no chão e um pouco de lama. Passamos em alguns riachos, mas como há muito gado na região e, consequentemente fezes no caminho, é melhor filtrar a água ou levar água potável desde o início.

Ao chegarmos na estrada, estávamos perto da fronteira com o Chile, então tivemos que passar na Aduana Argentina para seguir caminhando.

Logo depois da aduana chegamos no camping gratuito das Termas Lahuen Co, com banheiro normal e chuveiro quente.

As termas em si não são grande coisa. Água barrenta com temperatura máxima de 38°C.

Neste dia caminhamos pela etapa 10 da Huella Andina.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja em nosso canal do YouTube:

Dia 3: Termas Lahuen Co – laguna Verde

Total percorrido
Tempo com carona
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
15,3 km
2h20min
499 metros
396 metros
1104 metros
Leve Moderada

Segue a elevação do dia 3.

Também passamos por:

  • mirante de Escorial
  • laguna Toro

Todo o trajeto é na estrada. Por sorte conseguimos uma carona logo nos primeiros passos. Foi o único carro que passou na mesma direção que nós. Pura sorte.

O carro nos poupou 8 km de caminhada e nos deixou em um lugar que foi invadido por lava vulcânica há muito tempo atrás. A lava petrificada tem o nome de escorial. Os argentinos fizeram uma mini trilha pelo escorial, até que seja possível avistar um lago.

Tiramos fotos e seguimos a pé pela estrada. Infelizmente somente carros na direção oposta apareceram, levantando poeira. Foram cerca de 5 km até a laguna Verde, com uma parada na laguna Toro, que fica ao lado da estrada.

Na laguna Verde há um camping agreste, onde há uma tenda onde servem pizza e sanduíches. Ducha quente entre 18 e 22 horas e banheiro normal (ainda bem).

Era janeiro e o camping estava bem lotado.

Neste dia caminhamos pela etapa 11 da Huella Andina.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja em nosso canal do YouTube:

Dia 4: laguna Verde – refúgio Rincon de los Pinos

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
21 km
7h30min
1075 metros
1248 metros
1721 metros
Moderada Pesada

Segue a elevação do dia 4.

Também passamos por:

  • vulcão Achen Niyeu
  • arroyo del Escorial
  • arroyo Auquinco

A trilha continua contornando a laguna Verde. Subimos um pouco dentro do bosque e, logo a paisagem domina os olhares. Caminhamos em um vale com um morro e o riacho Del Escorial à esquerda, vulcão Achen Niyeu à direita, vulcão Lanín atrás e bem adiante era possível avistar uma bela cachoeira. Foi o trecho mais bonito de toda a travessia. Dia épico.

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Aproveitamos para ir até o cume do vulcão, um desvio pequeno que vale muito a pena. Lá de cima via-se sua cratera, a laguna Verde entre os lagos Currhué e Epulafquén, e os vulcões Lanín, Villarrica e Quetrupillan.

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O ruim foi encarar a subida inclinada embaixo de um Sol de rachar, sob um solo arenoso que a cada pisada para cima, escorregávamos dois passos para baixo.

Depois do vulcão continuamos na etapa 12 da Huella Andina, passamos pela cachoeira e pelo riacho del Escorial, subimos um pouco e continuamos no vale.

A vista do vulcão Lanín também ficou para trás deixando saudades em nossos corações.

Um bosque começou a surgir e ficamos alternando a caminhada entre bosque e vale.

Chegamos em um cruzamento do riacho Auquinco, onde tivemos que tirar as botas para enfrentá-lo. Ainda faltavam cerca de 3 km para chegarmos no refúgio Rincon de los Pinos.

O refúgio fica à beira do riacho Auquinco e em um belo vale. Estava bem conservado, mas sempre preferimos dormir em nossa barraca. Os alertas sobre a possível presença do hantavírus, propagado por ratos, nos incentivaram a ficarmos na barraca.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja em nosso canal do YouTube:

Dia 5: refúgio Rincon de Los Pinos – refúgio Auquinco

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
11,9 km
3h15min
377 metros
464 metros
1110 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 5.

Também passamos por:

  • riacho Auquinco

Saímos de Rincon de Los Pinos e seguimos na etapa 13 da Huella Andina. Caminhamos entre bosque e vale, passando em alguns córregos. Em certos momentos tivemos vista para paisagem.

Em duas ocasiões atravessamos o riacho Auquinco, nos molhando até a altura dos joelhos.

Passamos pelo cruzamento que à esquerda vai em direção ao Puerto Arturo e em frente segue para o refúgio Auquinco.

Como não sabíamos se encontraríamos algum lugar para acampar, devido ao solo bem irregular neste trecho, optamos seguir para o refúgio. Foi um desvio de 1 km, passando por uma ponte pênsil.

No refúgio nos juntamos a mais 3 barracas. O refúgio era maior e mais limpo que o Rincon de Los Pinos, mas com o mesmo aviso sobre o hantavírus.

Ele fica à beira do lago Lolog. Mas a água pegamos de um riacho que desemboca no mesmo lago, uns 5 minutos à direita do refúgio.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja em nosso canal do YouTube:

Dia 6: refúgio Auquinco – Villa Lolog

Total percorrido
Tempo com carona
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
16,2 km
4h40min
710 metros
688 metros
1077 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 6.

Também passamos por:

  • riacho Auquinco
  • lago Lolog

Sexto e último dia de nossa travessia. Saímos do refúgio Auquinco e voltamos cerca de 1,5 km pela mesma trilha do dia anterior, até chegarmos na intersecção que aponta para a trilha que vai até Puerto Arturo.

No começo margeamos o riacho Auquinco, e depois seguimos margeando o lago Lolog. Porém por quase todo o trajeto ficamos em uma altura superior ao lago, sem acesso à ele. Tivemos alguns momentos que descemos até o lago, onde seria possível armar algumas barracas. Seria um bom lugar para camping se não fossem os ventos patagônios.

Também passamos por uma pequena e aconchegante praia, com um bom local para montar a barraca, mas uma placa indicava que o local era de uso diurno somente.

Seguimos no bosque até a descida final, onde finaliza no guarda-parque do Puerto Arturo, e em uma estrada de terra, onde chegam carros. Ao lado do guarda-parque há um camping pago. Neste ponto termina a etapa 14 da Huella Andina, e começa a etapa 15.

Não ficamos no camping e tentamos a sorte na estrada, com a esperança de conseguirmos carona.

Depois de caminharmos por quase 2 km, conseguimos uma carona até o ponto de ônibus da Villa Lolog, onde pegamos um ônibus coletivo até San Martín de Los Andes. Finalizando nossa primeira travessia pelo Parque Nacional Lanín.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja em nosso canal do YouTube:

Dicas

  • Em Bariloche não encontramos bons câmbios para trocar dinheiro. É melhor trocar em cidades como Villa La Angostura ou San Martín de Los Andes.
  • Leve dinheiro físico para este trekking.
  • É obrigatório o registro para fazer as trilhas no Parque Nacional Lanín, apesar de não percebemos nenhum controle e fiscalização. O registro é fácil e rápido, e pode ser feito online, no site do próprio parque.

Custos

Seguem alguns custos em pesos argentinos (ARS) e equivalentes em reais (BRL), conforme o câmbio que fizemos.
Transporte

  • Ônibus de Villa La Angostura a San Martín de Los Andes, individual: $ARS 335 ($BRL 38)
  • Ônibus de San Martín de Los Andes a Junín de Los Andes, individual: $ARS 76 ($BRL 9)
  • Ônibus de Junín de Los Andes ao lago Paimún, individual: $ARS 190 ($BRL 21)

Hospedagem

  • Camping Laura Vicuña, Junín de Los Andes, diária individual: $ARS 200 ($BRL 23)
  • Camping Ecufue, lago Paimún, diária individual $ARS 150 ($BRL 16)
  • Camping Aila, diária individual, $ARS 90 ($BRL 9)
  • Camping Laguna Verde, diária individual $ARS 250 ($BRL 27)

Cotação comercial em 26/12/2018:
$USD 1,00 = $BRL 3,93 = $ARS 37,95

Dados sabáticos

2165 km trilhados
193 noites acampando
59 cidades
4 países
1 ano e 7 meses

Quer mais?

Nós, Paula Yamamura e Ramon Quevedo, estamos curtindo uma vida sabática desde 2017, focando no que mais gostamos de fazer: viajar trilhando.

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