Brasil, Nordeste

CANOA QUEBRADA A BARREIRAS – nossa primeira travessia a pé pelo litoral cearense

O Ceará é um dos estados brasileiros de maior costa litorânea, com 534 km de extensão. Suas praias são divididas em duas regiões: litoral leste e oeste.

O litoral leste, também conhecido como costa do Sol nascente, é marcado por enormes falésias, com uma dose tímida de dunas e com grandiosos parques eólicos. Fomos conhecer um pouco deste destino e, para começar fomos direto para Canoa Quebrada, o segundo destino turístico mais visitado em Ceará.

Chegando em Canoa, vimos que bugues levavam os turistas até a praia de Ponta Grossa. Como não queríamos gastar com esses passeios turísticos, tínhamos tempo sobrando e gostamos de caminhar; decidimos fazer o caminho dos bugueiros a pé.

Como chegamos

Nossa última viagem foi na Chapada Diamantina, Bahia. Estávamos em Lençóis e fomos de ônibus até Salvador. Pernoitamos na capital baiana, e de avião, partimos para a capital cearense, Fortaleza. Do aeroporto em Fortaleza, fomos direto para a rodoviária, para pegar um ônibus até Canoa Quebrada.

Em Canoa ficamos hospedados na pousada Água Marinha. Foi nossa primeira pousada cearense e, tivemos algo que não pensávamos que era um privilégio: chuveiro quente. Foi uma das raras hospedagens com chuveiro quente em toda nossa estadia no Ceará.

Resumo do trekking

  • País: Brasil
  • Cidades: Aracati e Icapuí (Ceará)
  • Início: Canoa Quebrada
  • Fim: Barreiras
  • Distância total: 44 km
  • Duração: 4 dias
  • Subida acumulada: 517 metros
  • Descida acumulada: 534 metros
  • Altitude máxima: 40 metros
  • Mapa da trilha: Wikiloc
  • Período do trekking: final de junho de 2018
  • Dificuldade: Leve Moderada. O sol cearense castiga muito qualquer caminhante.

Segue mapa do trekking:

Roteiro

Fizemos o trekking em 4 noites e 5 dias, como segue:

  1. Canoa Quebrada a Majorlândia
  2. Majorlândia a Retirinho
  3. Retirinho a Ponta Grossa
  4. Ponta Grossa à Redonda
  5. Redonda a Barreiras

dia 1: Canoa Quebrada – Majorlândia

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
4,8 km
1h15min
64 metros
84 metros
40 metros
Muito Leve

Como seria nossa primeira caminhada sob o Sol cearense, fizemos um pequeno teste no primeiro dia da travessia. Caminhamos somente uma hora, saindo da praia de Canoa Quebrada e chegando na praia vizinha, Majorlândia. Ambas as praias pertencem à cidade Aracati.

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Começamos a caminhada 30 minutos após o nascer do Sol, às 6h00. Às 7h00 o calor ainda estava suportável.

A pisada pela praia foi quase sempre em areia firme. Para testar, usei uma sandália tipo crocs, com meia. Mas meus dedos começaram a reclamar, pois a sandália estava muito justa. Teste do calçado reprovado.

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A paisagem é deslumbrante, com falésias à direita e o Sol saindo do mar à esquerda. Alguns pescadores se arriscam no mar, em busca do ganha-pão.

Em breve chegamos em Majorlândia e nos hospedamos na primeira pousada que vimos: pousada Beira-Mar. Um mini apartamento com geladeira, cozinha, banheiro, quarto com ar condicionado e vista para o mar. Tudo por R$ 100,00, a diária do casal.


dia 2: Majorlândia – Retirinho

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
13 km
3h20min
147 metros
145 metros
29 metros
Leve Moderada

Também passamos por:

  • Lagoa do Mato
  • Garganta do Diabo

Começamos a andar por volta das 5h15min, um pouco antes do nascer do Sol. São Pedro colaborou e nos presenteou com algumas nuvens encobrindo os impiedosos raios solares.

A paisagem, com falésias e alguns coqueiros, e a areia firme, continuam as mesmas do dia anterior.

Passamos pela praia da Lagoa do Mato, cuja lagoa secou há algum tempo. Logo depois há um corredor de falésias, chamado Garganta do Diabo, de onde escorre água doce pela areia.

CANOA 2 (2)

Passamos pela pequena vila Fontainha e seguimos até o minúsculo vilarejo Retirinho.

Perguntando para todos os locais, chegamos na pousada da Sra. Marta. Acho que a única pousada da praia. O que mais valeu, foi o delicioso almoço que a Dona Marta preparou para nós, com peixe fresco e camarões enormes. O único problema da hospedagem foi o ralo entupido do chuveiro. Meu crocs foi bem útil na hora do banho. Ainda bem que foi somente uma noite…


dia 3: Retirinho – Ponta Grossa

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
9,5 km
2h20min
125 metros
127 metros
32 metros
Leve Moderada

Também passamos por:

  • Retiro Grande

Areia firme, falésias e pescadores trabalhando foram o que presenciamos nos primeiros passos.

Um pouco antes do Retiro Grande, as falésias multicoloridas pareciam maiores do que visto até então.

CANOA 3 (2)

Não conseguimos visualizar as casas do Retiro Grande, pois elas ficam acima das falésias. Encontramos dois acessos para os moradores: uma escada e uma rampa larga para buggy.

Logo após o Retiro começa um trecho com mangue. E sem perceber ficamos ao lado direito do mangue, com o mar se distanciando cada vez mais à esquerda. Entre o mangue e o mar, uma extensa área de areia.

Passamos por lá muito cedo e com céu nublado. Perto da vegetação do mangue, centenas de mosquitos estavam à caça de sangue. Ao sofrermos o primeiro ataque, corremos em disparada até chegarmos na vila da praia de Ponta Grossa. Lá encontramos pousadas, bares, restaurantes e mercado.

Sem pensar duas vezes ficamos por lá. Escolhemos a pousada Canaã.

À tarde voltamos com mais calma no trecho do mangue, almo-jantamos uma lagosta e apreciamos o pôr do Sol em cima do morro.

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E neste último momento do dia fui devorada pelos mosquitos. Contabilizados pelo menos 30 picadas na minha traseira. Pôr do Sol inesquecível


dia 4: Ponta Grossa – Redonda

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
5 km
1h30min
82 metros
82 metros
21 metros
Leve

Como no dia anterior não fomos conhecer as falésias da praia de Ponta Grossa, acordamos um pouco mais tarde e começamos a caminhar logo após as 6 horas da manhã. Desse modo, teria luz para apreciarmos o trecho mais bonito até este momento.

CANOA 4 (7)

Pedra furada, falésias altas e multicoloridas, com formatos diferenciados tornaram a rápida caminhada até a praia Redonda fascinante.

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Caminhamos muito pouco neste dia e optamos por parar na praia da Redonda devido ao intenso Sol, que reinava no céu sem nuvens.

O mar da praia da Redonda nos pareceu o mais calmo e menos mexido, evidenciado pela grande quantidade de barcos estacionados.


dia 5: Redonda – Barreiras

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
11 km
2h30min
99 metros
96 metros
16 metros
Leve Moderada

Também passamos por:

  • praia de Peroba
  • praia de Picos
  • praia Barreira da Sereia

Logo que saímos da praia da Redonda, passamos por grandes paredões alaranjados com algumas riscas brancas. É uma vista bem impressionante.

Passamos pelas praias de Peroba e de Picos, com seus pequenos vilarejos.

Ao chegar na praia de Barreiras da Sereia, as falésias deram um tempo na paisagem. E uma contenção de pedras surge, provavelmente para proteger a rua da mais alta maré.

Nosso destino final, a praia de Barreiras, fica ao lado. E ao chegarmos, nos informaram que um ônibus passaria na praça da Liberdade às 8h00. Passavam alguns minutos das 7 horas e saímos correndo para tentar chegar na tal praça. Acho que foram mais 4 km extras.

Ao chegar na praça não vimos ônibus. Era domingo e o transporte estava bem escasso. Ainda bem que um táxi apareceu, e nos levou até Aracati, onde prosseguimos de ônibus para outras praias cearenses.

Durante a viagem, o taxista se mostrou um homem muito corajoso. Nos contou que quando fez 18 anos, saiu do Ceará, sem dinheiro e analfabeto, para tentar a sorte em São Paulo. Chegou em São Paulo com caronas e com uma mistura de sorte e responsabilidade, conseguiu emprego e foi alfabetizado. Já pensou? Sair do interior do Ceará, somente com uma sacola na mão, sem saber ler, e ir direto para a metrópole mais populosa do país?

E foi com essa história que terminamos nossa primeira calorosa travessia cearense.

Dicas

  • Comece a caminhar bem cedo. O ideal é dar os primeiros passos 30 minutos antes do nascer do Sol.
  • Use repelente, principalmente para dormir. O ataque de mosquitos é quase certo.
  • Em geral, vimos somente Banco do Brasil, Caixa e Bradesco. Se não tiver conta nestes bancos, considere levar mais dinheiro para a viagem.
  • Leve dinheiro físico. Alguns lugares, como Retirinho, não aceitam cartão.
  • Evite caminhar descalço. Em alguns momentos vimos alguns cacos de vidro na areia.

Custos

Seguem alguns custos em reais (BRL).

  • Ônibus de Fortaleza a Canoa Quebrada, individual: $BRL 27,00
  • Hospedagem em pousadas simples, média diária casal, sem café da manhã: $BRL 100,00
  • Refeição em Canoa Quebrada, prato feito individual: $BRL 10,00

Cotação em 22/06/2018:
$USD 1,00 = $BRL 3,77

Dados sabáticos

1642 km trilhados
41 cidades
12 meses
4 países

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2 comentários em “CANOA QUEBRADA A BARREIRAS – nossa primeira travessia a pé pelo litoral cearense”

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