Brasil, Nordeste

VALE DO PATI – trekking na Chapada Diamantina em 8 dias

O vale do Pati fica no coração do Parque Nacional Chapada Diamantina e é um dos trekkings mais famosos do Brasil.

No passado esta região era habitada por mais de 2000 pessoas, devido às plantações de café. Com o declínio do café restaram somente cerca de 30 moradores, que hoje vivem do ecoturismo, hospedando os caminhantes que querem conhecer este pedaço da Chapada Diamantina.

Como chegamos

A partir da rodoviária de Salvador, capital da Bahia, pegamos um ônibus até a cidade Lençóis, pela viação Rápido Federal. Foram 6,5 horas de viagem.

Em Lençóis, fizemos uma travessia de 3 dias para chegar até Capão.

Achamos a hospedagem em Capão mais cara do que Lençóis. Além disso a internet, em geral, é muito ruim e não há sinal da Vivo.

Ficamos no camping Lakshimi, por R$ 25,00 a diária individual.

O trekking para o vale do Pati começa em Bomba, a 6 km do centro de Capão. Nós fomos andando desde o camping, mas é possível contratar um táxi até Bomba.

Resumo do trekking

  • País: Brasil
  • Cidades próximas: Palmeiras, Mucugê e Andaraí (Bahia)
  • Início: Capão/Caeté Açu
  • Fim: Andaraí
  • Distância total: 85 km
  • Duração: 8 dias
  • Subida acumulada: 4078 metros
  • Descida acumulada: 4612 metros
  • Altitude máxima: 1467 metros
  • Mapa da trilha: Wikiloc
  • Período do trekking: final de maio de 2018
  • Dificuldade: Moderada Pesada. Necessário muito bom condicionamento físico.

Seguem mapa e elevação do trekking:

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Roteiro

Fizemos o trekking do Pati em 7 noites e 8 dias, como segue:

  1. Capão – Rancho
  2. Rancho – Igrejinha
  3. Igrejinha – cachoeira dos Funis – mirante do Pati – Igrejinha
  4. Igrejinha – Cachoeirão por cima – Igrejinha
  5. Igrejinha – morro do Castelo – casa do Aguinaldo
  6. casa do Aguinaldo – poço da Prefeitura – casa do Eduardo
  7. casa do Eduardo – Cachoeirão por baixo – casa do Joia
  8. casa do Joia – Andaraí

DIA 1: CAPÃO – RANCHO

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
16 km
5 horas
715 metros
360 metros
1297 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 1.

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Também passamos por:

  • cascata Angélica

Saímos de nossa hospedagem em Capão e seguimos por 6 km em estrada de terra até Bomba, onde começa a trilha para o vale do Pati.

Antes de seguir para o Pati, desviamos um pouco do caminho para conhecer, dois pontos que aparecem no MapsMe: a cascata Angélica e a Purificação.

A cascata Angélica é uma queda d’água simples e não vale o esforço.

A Purificação, naquele momento, também achamos que não valeu o esforço. Porém, dias depois, descobrimos que não chegamos na Purificação. A indicação da Purificação no MapsMe estava errada e mostrava um poço de água sem graça. Dizem que a cachoeira Purificação é uma das poucas cachoeiras com água cristalina da Chapada. Ficamos sem conhecê-la.

Depois da Purificação, subimos morro acima, até que a paisagem se abre e andamos cercados, no horizonte, por altos paredões de pedras.

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Encontramos alguns trekkers no caminho, indo e voltando. Seguimos pela trilha à direita, no plano, até uma área de acampamento chamada Rancho. Havia uma casa de madeira fechada em frente a uma piscina natural e acampamos em sua varanda.

DIA 2: RANCHO – IGREJINHA

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
9,5 km
4h20min
188 metros
375 metros
1282 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 2.

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Passamos por:

  • Gerais do Vieira

Acordamos sob uma leve chuva e céu nublado. Olhamos no GPS e havia duas possibilidades de trilha: uma mais longa com paisagem e outra mais curta na floresta. Como o dia estava nublado e não teríamos paisagem, decidimos pela trilha mais curta. Grande erro…

Percorremos o Gerais do Vieira por dentro da mata, em uma trilha completamente alagada e com muita lama. E para ajudar, um chuvisco nos acompanhou de tempos em tempos.

Assim caminhamos, olhando todo o tempo para baixo, calculando onde colocar os pés para não escorregar e cair.

Quando burros de carga e homens a cavalo passaram por nós, entendemos que essa trilha era para eles, não para nós.

Foram 4h30min de puro sofrimento até chegarmos na casa do João, também conhecida como Igrejinha.

No vale do Pati há várias casas de moradores onde é possível se hospedar. A maioria deles oferecem:

  • Quarto: R$ 40,00
  • Camping: R$ 20,00
  • Café da Manhã: R$ 40,00
  • Jantar: R$ 40,00
  • Petiscos (batata frita): R$ 25,00

A Igrejinha é a primeira parada. No dia que chegamos eles estavam instalando internet via antena. O progresso tecnológico chegando no Pati.

DIA 3: IGREJINHA -CACHOEIRA DOS FUNIS – MIRANTE DO PATI – IGREJINHA

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
5,1 km
2h40min
385 metros
368 metros
1296 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 3.

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Dia light para visitar duas atrações perto da Igrejinha: a cachoeira dos Funis e o mirante do Pati.

Primeiro visitamos a cachoeira dos Funis, a 1h10min da Igrejinha. Trilha bem demarcada. Somente quando chega no rio há uma parte de trepa-trepa. Passamos por algumas quedas d’águas antes de chegar na cachoeira.

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Depois da cachoeira, voltamos para a Igrejinha e seguimos para o mirante do Pati. Se no segundo dia tivéssemos seguido pela trilha por cima, teríamos passado pelo mirante do Pati, mas como fomos pela trilha por baixo, deixamos o mirante para este dia.

Foram 45 minutos para chegar ao mirante, depois de uma subida íngreme. Lá de cima uma ampla vista do que um dia foi uma imensa plantação de café. Até a década de 50 haviam cerca de 2000 pessoas morando no vale, trabalhando nas plantações de café. Hoje são somente 30 moradores. A mãe natureza se encarregou de reviver a mata.

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No mirante do Pati cruzamos com alguns turistas e guias. Um guia muito simpático nos mostrou um beija-flor endêmico na Chapada Diamantina. Só existe nesta região. Dividimos nossos olhares entre esta charmosa ave e a bela vista do Pati.

DIA 4: IGREJINHA – CACHOEIRÃO POR CIMA – IGREJINHA

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
15,5 km
5h50min
547 metros
550 metros
1304 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 4.

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Também passamos por:

  • Toca do Gavião

Trilha bem tranqüila, com leve elevação até chegar no Cachoeirão. Foram 3 horas caminhando sob chuva e com céu completamente encoberto. No meio do caminho paramos na Toca do Gavião para lanchar protegidos da chuva. Cogumelos minúsculos estavam posando para foto.

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A trilha dá acesso ao Cachoeirão por cima. Uma bela vista do cânion e vale abaixo. Dizem que o Cachoeirão na potência máxima tem 21 quedas. Vimos pelo menos quatro quedas neste dia bailando com a força do vento. Por sorte, São Pedro deu uma trégua, e aproveitamos para registrar o momento.

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DIA 5: IGREJINHA – MORRO DO CASTELO – CASA DO AGUINALDO

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
7,2 km
4 horas
597 metros
750 metros
1384 metros
Moderada Pesada

Segue a elevação do dia 5.

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Também passamos por:

  • morro do Cruzeiro
  • gruta do morro do Castelo

Demos adeus à Igrejinha e fomos em direção a alguma casa que ficasse mais perto do morro do Castelo e aceitasse nossa barraca.

Com 30 minutos, uma cruz indicava que estávamos no morro do Cruzeiro, fizemos nossa primeira parada para apreciar mais um mirante do vale do Pati.

Descemos o morro e passamos na primeira casa, a casa do Sr. Wilson. Não era possível acampar por lá e nos indicaram a casa do Aguinaldo a 10 minutos de lá.

Com 1h10min chegamos na casa do Aguinaldo. Nos instalamos e seguimos para o morro do Castelo. Atravessamos o rio e subimos uma trilha íngreme e com muita lama.

No topo da subida, uma grande entrada de uma caverna nos esperava. Entramos na escuridão. Mas durou muito pouco, pois a caverna, apesar de alta, era bem curta.

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Logo na saída da caverna, mais por intuição do que pelo GPS, encontramos o topo do morro do Castelo. Fomos privilegiados por uma vista quase 360° do vale. Foram 2 horas entre a casa do Aguinaldo ao morro do Castelo.

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DIA 6: CASA DO AGUINALDO – CASA DO EDUARDO

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
7,3 km
2h45min
174 metros
426 metros
927 metros
Moderada Leve

Segue a elevação do dia 6.

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Também passamos por:

  • Poço da Prefeitura

Atravessamos o rio na frente da casa do Sr. Aguinaldo e seguimos por uma trilha plana até chegar na Prefeitura. Apesar do nome, a Prefeitura é mais uma casa de apoio aos trekkers.

Continuamos mais um pouco e paramos onde termina o rio Funis, no poço da Prefeitura.

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Perto do poço há uma bela área de camping ilegal e quase irresistível. Ampla, plana e com uma grande toca servindo de cobertura.

Saindo do poço, a trilha continua até uma intersecção, onde para esquerda cruza-se a ponte do Pati em direção à Andaraí; e em frente a trilha irá acabar no Cachoeirão.

Seguimos rumo ao Cachoeirão parando na casa do Eduardo. Como era um pouco tarde, não daria tempo de irmos até o Cachoeirão e voltar no mesmo dia. Deixamos para o dia seguinte.

DIA 7: CASA DO EDUARDO – CACHOEIRÃO POR BAIXO – CASA DO JOIA

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
11,8 km
5 horas
938 metros
1005 metros
1467 metros
Pesada

Segue a elevação do dia 7.

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Também passamos por:

  • rio Cachoeirão

A trilha que liga a casa do Eduardo ao Cachoeirão começa plana e beirando próximo ao rio. No meio do caminho, a trilha se afasta do rio- para logo depois retornar ao leito.

Neste momento começa um trecho entre grandes pedras escorregadias, sempre seguindo o rio. A chegada ao primeiro poço do Cachoeirão não foi tão traumática e é uma boa oportunidade para fotos.

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Para chegar ao segundo poço, apanhamos bastante. Não há trilha e o caminho continua entre grandes pedras molhadas. E como estávamos sem guia, provavelmente não seguimos pelo caminho menos dolorido.

No segundo poço havia uma cortina de água caindo como se fosse um chuvisco. Tiramos algumas fotos e voltamos para casa do Eduardo.

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Recolhemos nossos pertences e seguimos até a casa do Sr. Joia, que fica a 40 minutos do Eduardo.

DIA 8: CASA DO JOIA – ANDARAÍ

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
12,4 km
4h45min
534 metros
778 metros
1089 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 8.

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Também passamos por:

  • Ladeira do Império

Saímos da casa do Sr Joia, em direção à cidade Andaraí.

A primeira etapa da trilha foi uma subida com um desnível de aproximadamente 500 metros de altitude.

E depois uma longa descida pela ladeira do Império, até Andaraí. Essa descida é completamente desprotegida do Sol e Andaraí é uma cidade muito quente. É recomendável sair bem cedo para fugir do Sol.

No nosso caso, não tivemos este problema, pois o dia estava 100% nublado e choveu por toda a manhã.

Chegamos em Andaraí e para descansar procuramos algum lugar para dormir. Para nossa surpresa, percebemos que Andaraí não é uma cidade muito turística. Acabamos ficando na única pousada que encontramos.

Dicas

  • Leve dinheiro para o vale do Pati. Os moradores locais não aceitam cartão. Com exceção da Igrejinha, que estava instalando internet e nos informaram que em breve iriam aceitar cartão.
  • Na Chapada Diamantina, em geral, vimos somente Banco do Brasil, Caixa e Bradesco. Se não tiver conta nestes bancos, considere levar mais dinheiro para a viagem.
  • No Vale do Pati, faz um pouco de frio durante a noite. Leve agasalho.

Custos

Seguem alguns custos em reais (BRL).

  • Camping Lakshimi, em Capão, diária individual: $BRL 25,00
  • Pastelde palmito de jaca, em Capão: $BRL 7,00
  • Camping Igrejinha, Eduardo e Joia, no Vale do Pati, diária individual: $BRL 20,00
  • Camping Aguinaldo, no vale do Pati, diária individual: $BRL 25,00
  • Pão caseiro, no vale do Pati, unidade: $BRL 1,00
  • Banana, no vale do Pati, 1 dúzia: $BRL 6,00
  • Pousada do Éden, em Andaraí, diária casal com café da manhã: $BRL 100,00

Cotação oficial em 13/05/2018:
$USD 1,00 = $BRL 3,60

Dados sabáticos

1523 km trilhados
144 noites acampando
38 cidades
19 cumes
12 meses
4 países

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3 comentários em “VALE DO PATI – trekking na Chapada Diamantina em 8 dias”

  1. Olá, acompanhei seus relatos e gostei muito. Pretendo fazer o Vale do Pati, seguindo seu mapa e mais um outro. Gostaria de algumas dicas.
    – O que vocês levaram de alimentação na mochila para almoço e janta?
    – Li relatos de que no Vale há pequenas mercearias nas paradas onde se pode comprar suprimentos, isso procede?
    – Chegando em Andaraí, como vocês voltaram para Lençóis ou foram embora? Eu pretendo ir até Mucugê ainda partindo de Andaraí, é possível pegar um ônibus ou condução qualquer para chegar até lá?
    Fico muito grato por qualquer ajuda.
    att.

    Curtir

    1. Oi André!
      1. Sobre a alimentação, compramos a comida que encontramos no mercado em Capão. Mas foi macarrão, arroz, leite em pó, etc…
      2. Sim. Na própria casa dos moradores você pode pagar uma refeição (R$ 40,00), pão, banana, ovos… Também encontramos mercearia na Igrejinha e na casa do Sr Aguinaldo. Muito importante levar dinheiro no Vale do Pati. Talvez somente a Igrejinha aceite cartao1.
      3. De Andaraí pegamos um ônibus até Mucugê, à tarde. Ele sai da rodoviária.

      Espero ter ajudado!

      Abraços

      Curtir

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