Chile_Patagonia_Villa Cerro Castillo
América do Sul, Aysén, Chile

TORRES DEL AVELLANO – uma surpresa chilena próxima de Cerro Castillo

 

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No verão de 2020 nós, Paula e Ramon, tivemos mais uma temporada na Patagônia, nosso lugar preferido do planeta. Foram 3 meses percorrendo desde El Calafate, na Argentina, até a Villa Cerro Castillo, no Chile.

No 75º dia de nossa viagem estávamos na Villa Cerro Castillo, na emblemática Carretera Austral, e fomos explorar a região. Vimos no WikiExplora que próximo de onde estávamos havia uma tal de Torres del Avellano. Fomos conferir e ficamos encantados.

Você também pode ver esta trilha no YouTube:


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  1. Resumo
  2. Melhor época
  3. Como chegamos
  4. Roteiro e dia-a-dia
  5. Observações
  6. Custos
  7. Dados sabáticos
  8. Valeu?
  9. Quer mais?

Resumo da caminhada

  • País: Chile
  • Província: Aysén
  • Cidade: Villa Cerro Castillo
  • Início: Carretera Austral
  • Fim: ruta X-727
  • Distância da caminhada: 69 km
  • Duração: 3 dias
  • Período: meados de março de 2020
  • Previsão do tempo: Windguru
  • Tracklog: Wikiloc

Segue o nosso percurso no mapa e o perfil de elevação.

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
elevação

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Melhor época

Na minha opinião, a melhor época para caminhar pelas trilhas da Patagônia é entre janeiro a abril, quando não há neve e as temperaturas estão mais agradáveis. Em dezembro ainda há uma probabilidade de alguma trilha estar fechada, devido ao excesso de neve que sobrou da última nevasca. Em maio a temperatura cai bastante e a neve ressurge no cenário.

Vale observar que em janeiro é quando tudo fica lotadíssimo. Se não gostar da multidão, tente evitar a região próximo a esse período.

Para você ter uma ideia, abaixo segue um histórico do clima durante o ano em Río Ibáñez, próximo da Villa Cerro Castillo (fonte MSN).

Mês Temperatura média (ºC) Precipitação máx. (mm) Neve (dias)
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
6 a 16
6 a 16
4 a 14
2 a 10
0 a 7
-2 a 4
-3 a 3
-1 a 5
0 a 7
1 a 10
3 a 13
5 a 14
53
45
62
72
84
81
84
84
60
62
60
62
0
0
0
1
4
10
12
9
4
1
0
0

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Como chegamos

Começamos nossa viagem pelo aeroporto de El Calafate, na Argentina. Depois de 7 dias por lá, partimos de ônibus para El Chaltén, saindo da rodoviária de El Calafate.

Ficamos 19 dias caminhando em El Chaltén, e então seguimos para a Villa O’Higgins pelo Cruce Internacional Glaciares.

Curtimos as trilhas e o sossego da Villa O’Higgins por 11 dias, quando decidimos ir embora caminhando até Cochrane pela Ruta de Los Pioneros.

Ficamos vários dias em Cochrane, e nos hospedamos em vários lugares, mas nosso preferido foi o Camping/Hostel Cochrane.

Uma vez em Cochrane, fomos conhecer o famoso Parque Nacional Patagonia, onde fizemos duas caminhadas. Na última, fizemos uma travessia entre o Valle Avilés e o Lago Jeinimeni, que nos levou até o povoado Chile Chico.

Passamos duas noites em Chile Chico e lá pegamos uma balsa às 8 horas da madrugada até Puerto Ibáñez, localizado no outro lado do lago General Carrera. Em Puerto Ibáñez pegamos um micro-ônibus, às 17 horas, para a Villa Cerro Castillo. Este micro-ônibus sai na praça da cidade e pagamos 1000 pesos chilenos cada um, direto ao motorista.

Quando chegamos na Villa Cerro Castillo, por volta das 18 horas. Passamos uma noite no camping super básico Baqueanos de la Patagonia. No dia seguinte conseguimos uma carona, até 1 km depois da ponte El Manso, na Carretera Austral sentido sul, onde começamos nossa caminhada. Outro modo de chegar na ponte El Manso seria através de um suposto ônibus coletivo, que passa na Villa Cerro Castillo às 11 horas, e que poderia nos levar até onde queríamos. Mas a carona chegou antes.

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Roteiro

Fizemos a caminhada em 2 noites e 3 dias, como segue:

  1. Carretera Austral → Mallín Grande
  2. Mallín Grande → Torres del Avellano → Mallín Grande
  3. Mallín Grande → ruta X-727

Dia 1: Carretera Austral → Mallín Grande

Distância
Tempo sem paradas
Subida acumulada
Descida acumulada
Altitude máxima
33 km
7 horas
1650 metros
900 metros
1200 metros

Tudo começa na Villa Cerro Castillo. Lá conseguimos uma carona até 1 km depois da ponte El Manso na Carretera Austral, cerca de 19 km do vilarejo, sentido Cochrane. Praticamente paramos em um ponto de ônibus, que fica na intersecção entre a estrada X-727 e a Carretera Austral.

Seguimos pela estrada de ripio X-727, passamos por uma ponte pensil do “rio sin nombre” e seguimos por 14 km.

Torres del Avellano
ponte do rio sem nome

A caminhada foi agradável e bonita, era possível avistar montanhas nevadas no horizonte.

Depois de 8 km surge uma placa indicando que a estrada X-727 seguiria à direita, em direção ao Lago Lapparent. À frente surge a X-725 que segue em direção ao Puerto Ibáñez. Nós continuamos pela X-727.

Quando não havia montanhas nevadas, parecia que estávamos caminhando por alguma estrada de terra na Serra da Mantiqueira, com montanhas esverdeadas e vacas pastando.

Paramos para nos abastecer de água ao lado da primeira porteira que vimos. Teriam várias outras no caminho, nos obrigando a um ritual de inúmeros abre-passa-fecha.

Villa Cerro Castillo_Chile
passando por uma porteira

Vimos uns dois carros passando por nós. O terceiro carro parou perguntando o que estávamos fazendo por lá. Eram Sebastian e Pia, dois chilenos que estavam indo para o mesmo lugar que nós: Torres del Avellano. Muita coincidência! Ofereceram carona e aceitamos com alegria. A partir daquele momento eles viraram nossos parceiros.

Eles nos economizaram cerca de 9 km de caminhada. Fomos de carro até onde deu. Chegou um momento que a estrada fica bem ruim e Sebastian estacionou o carro. Continuamos a pé na estrada de rípio por aproximadamente 10 km. A paisagem foi ficando mais bonita, com mais montanhas nevadas aparecendo.

Em certo momento fomos interceptados por um típico gaúcho patagônio. Montado em um cavalo, vestindo roupas de couro, boina na cabeça e seguido por quatro simpáticos cachorros. Ramon e Sebastian foram os primeiros a conversar com ele. O papo começou com:

– Aqui é propriedade particular e vocês não deveriam estar aqui.

Ui… nossos corações apertaram, com quase lágrimas escorrendo pelo rosto, o gaúcho disse:

– Já que estão por aqui, podem passar.

Ufa! Já pensou? Ter que voltar? Então Pia, extremamente simpática, começou a conversar com o gaúcho e uma reviravolta aconteceu. Ele deu até dicas de onde poderíamos acampar e arriscou algumas piadas. Tudo resolvido com sorrisos!

Villa Cerro Castillo_Chile_Patagonia
gaúcho conversando com chilenos

Seguimos mais um pouco até encontrarmos várias pedras empilhadas mostrando que devíamos sair da estrada e entrar em uma trilha à esquerda.

A trilha começa em uma descida, dentro do bosque. Lá embaixo, passamos por um pequeno Mallín, um terreno plano e alagado, e depois por uma porteira. Caminhamos até o segundo Mallín, o Mallín Grande. Este Mallín é bem maior e o rastro da trilha some neste ponto. É importante caminhar próximo ao bosque, no lado esquerdo, que o terreno é mais seco e há alguns trechos de trilha.

Villa Cerro Castillo_Chile_Patagonia
Mallín Grande

Fomos quase até a metade do Mallín, onde havia alguns cavalos pastando e armamos nossas barracas. Caminhamos até o pôr do Sol, para avançar o máximo que pudéssemos, deixando o próximo dia menos cansativo.

Torres del Avellano
Pôr do Sol nas montanhas

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Dia 2: Mallín Grande – Torres del Avellano → Mallín Grande

Distância
Tempo sem paradas
Subida acumulada
Descida acumulada
Altitude máxima
27 km
9h30min
1360 metros
1360 metros
1300 metros

A previsão do tempo indicava que o terceiro dia seria chuvoso e nublado. Por isso dedicamos nosso segundo dia para atacarmos as Torres del Avellano, deixando nossas barracas no Mallín Grande.

Chile_Patagonia
barraca dos chilenos no Mallín Grande

Ao acordamos percebi que estava em um lugar lindo. No dia anterior, quando chegamos quase no escuro não percebemos a beleza do lugar. Acampamos quase em frente de um pequeno glaciar.

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
Glaciar visto do Mallín Grande

Quando saímos do Mallín, cruzamos o rio Avellano. Por sorte havia alguns troncos caídos, que serviram como uma ponte natural. Não foi necessário molhar nossos pés.

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
Atravessando o rio Avellano

Depois de quase uma hora caminhando, chegamos em um Puesto. Uma casa onde os gaúchos usam para repousar. Era neste lugar que gostaríamos de ter chegado ontem, mas não deu tempo.

Não havia nenhuma sinalização na trilha. Cruzamos o rio Avellano mais uma vez, e desta vez tivemos que tirar os tênis para não molhá-los.

Depois do rio, começamos a ver geleiras no topo das montanhas.

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
vista para geleiras durante a trilha

Caminhamos sobre um terreno pedregoso sem trilha.

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
subida pedregosa

Cruzamos o rio outra vez e chegamos na primeira Laguna com as Torres del Avellano norte atrás. A imagem é lindíssima.

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
Primeira Laguna

A segunda Laguna está bem ao lado da primeira.

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
Segunda Laguna

Tentamos ir para um Paso de montanha, onde está o mirante e teoricamente seria o final da trilha.

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
Subindo o Paso de Montanha

Enquanto subíamos encontramos um casal que estava fazendo um circuito, no sentido contrário ao nosso. Ou seja, daria para continuar caminhando após o Paso de montanha. Como deixamos nossas barracas no Mallín Grande, deixamos para outra oportunidade.

Quase no final, optei por ir pelo lado direito da montanha, ao invés de seguir pelo meio. Foi um grande erro. Alguns metros antes do Paso, o terreno rochoso ficou liso e bem inclinado. Era bem perigoso continuar. Como já era tarde, decidimos voltar para nosso acampamento.

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
não conseguimos chegar até o mirante devido ao terreno inclinado

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Dia 3: Mallín Grande → ruta X-727

Distância
Tempo sem paradas
Subida acumulada
Descida acumulada
Altitude máxima
11 km
3h30min
490 metros
530 metros
1190 metros

Ao acordarmos, o gaúcho que conhecemos no primeiro dia foi nos visitar no Mallín Grande.

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
Gaúcho no Mallín Grande

Conversamos um pouco, levantamos nosso acampamento, e voltamos pela mesmo caminho que viemos.

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
indo embora do Mallín Grande

E com um pouco mais de atenção, vimos outra laguna no caminho.

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
Laguna e glaciar durante a trilha

Chile_Patagonia_Cerro Castillo
close na Laguna e glaciar

Sem dúvidas, há muito o que explorar nesta surpreende região.

Ao retornarmos para a Villa Cerro Castillo, encontramos todas as hospedagens fechadas. Era março de 2020 e o coronavírus havia chegado no Chile. Infelizmente tivemos que interromper nossa viagem, com um gostinho de quero mais.

Da Villa Cerro Castillo fomos de ônibus até o aeroporto mais próximo, na cidade de Coyhaique. E assim finalizamos nossa 7ª viagem sabática.

Até a próxima Patagônia!

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Observações

  • Um pouco antes de entrarmos na trilha propriamente dita, encontramos com um chileno local que nos informou que estávamos em uma propriedade privada, e teoricamente não poderíamos caminhar por lá. Na prática não havia nenhuma placa informando que estávamos em uma propriedade privada. O gaúcho só conversou conosco e nos deixou passar, sem maiores problemas. Mas… tudo pode mudar, né?
  • É importante baixar algum tracklog no celular antes de ir. Deixo aqui o link de nosso tracklog. Porém vale observar que não chegamos até o Paso de Montaña. Depois da segunda Laguna é melhor ignorar nosso tracklog, pois acabamos a caminhada em um quase penhasco e desistimos de tentar o Paso.
  • Nós fizemos esta caminhada em 2 dias e 1 noite, e foi bem puxado. O ideal seria tentar a caminhada, a partir do início da trilha, em pelo menos 3 dias. Se for caminhando desde a Villa Cerro Castillo ou da Carretera Austral, considere acrescentar mais dias neste roteiro.
  • Caso queira se aventurar nesse destino, te desejo boa sorte, ou bons ventos como estão dizendo por aí ultimamente. Lembrando que cada um tem que se auto-avaliar para entender se tem condições físicas, psicológicas e técnicas para se enfiar na natureza. O que é fácil e divertido para alguns, pode ser um grande desafio e chato para outros.

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Custos

Seguem alguns custos em pesos chilenos (CLP) e equivalentes em reais (BRL), conforme o câmbio local e preço da época (fevereiro e março de 2020).

  • Comida para trilha, mercado local em Chile Chico, média diária individual: $CLP 7070 ($BRL 39)
  • Barco, de Chile Chico até Puerto Ibáñez, individual: $CLP 2300 ($BRL 13)
  • Van, de Puerto Ibáñez até Villa Cerro Castillo, individual: $CLP 1000 ($BRL 5)
  • Camping Baqueanos de La Patagonia, em Villa Cerro Castillo, diária individual: $CLP 3000 ($BRL 16)
  • Ônibus, de Villa Cerro Castillo até Coyhaique, individual: $CLP 7000 ($BRL 38)

Cotação comercial em 19/3/2020:
$USD 1,00 = $BRL 5,06 = $CLP 863,10

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Dados sabáticos até aqui

6290 km trilhados
146 cidades
8 países
2 ano e 9 meses

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