Argentina, Río Negro

FREY a JAKOB – travessia entre lagunas em Bariloche

Depois de conhecermos o refúgio López e o Pico Turista, descemos até Colonia Suiza, onde acampamos uma noite, e no dia seguinte fizemos dois trajetos de ônibus, o primeiro até Bariloche, onde almoçamos e compramos comida para trilha; e depois fomos até a Villa los Coihues para começarmos mais um trekking.

Nosso objetivo inicial era ir novamente para o refúgio Frey, nossa primeira caminhada desta temporada, e depois partir para laguna Jakob. Era o que queríamos ter feito em dezembro de 2018, mas o excesso de neve nos impediu.

No caminho deste trekking tivemos algumas pequenas e inusitadas mudanças.

Como chegamos

No centro de Bariloche pegamos o ônibus 50, logo atrás do Club Andino Bariloche, e fomos até o seu ponto final, na Villa los Coihues.

Do ponto final, contornamos aproximadamente 2,5 km o lago Gutiérrez, até chegarmos no camping organizado Lago Gutiérrez.

Ao lado deste camping há um guarda-parque e o início da trilha para o refúgio Frey. Como já era tarde, dormimos uma noite neste camping.

Resumo do trekking

  • País: Argentina
  • Cidade: Bariloche
  • Início: Villa los Coihues
  • Fim: Bariloche
  • Distância total: 35 km
  • Duração: 4 dias
  • Subida acumulada: 2510 metros
  • Descida acumulada: 2570 metros
  • Altitude máxima: 2040 metros
  • Tracklog: Wikiloc
  • Período do trekking: final de março de 2019
  • Dificuldade: Moderada

Roteiro

Fizemos o trekking em 3 noites e 4 dias, como segue:

  1. Villa los Coihues à base Catedral Sul
  2. base Catedral Sul ao vale del Rucaco
  3. vale del Rucaco ao riacho Casa de Piedra
  4. riacho Casa de Piedra ao ponto de ônibus


Dia 1: Villa los Coihues – base Catedral Sul

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
10 km
3h45min
1000 metros
240 metros
1600 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 1.

dia 1

Também passamos por:

  • cachoeira de los Duendes
  • arroyo Van Titter

Saímos do camping Lago Gutiérrez e seguimos a trilha que leva à cachoeira de los Duendes e ao mirante do lago Gutiérrez. Em poucos minutos chegamos na cachoeira dos Duendes, duas pequenas e charmosas quedas d’água. Como o desvio foi minúsculo, valeu a pena.

Cachoeira de Los Duendes

Seguimos a trilha e logo apareceu outro desvio, desta vez para o mirante do lago Gutiérrez. Com um desvio mais longo, de 1 hora somente de ida, descartamos essa vista do lago.

O caminho segue com uma subida suave e agradável, em um caminho largo, com o lago Gutiérrez à esquerda, aparecendo entre as árvores.

Encontramos a bifurcação com a trilha que vem da Villa Catedral e a subida ficou mais inclinada.

O riacho Van Titter começa a nos acompanhar abaixo à esquerda, até que encontramos com ele, cruzando-o em uma ponte de madeira. Aproveitamos a água para um lanche, enquanto uma dezena de pessoas passaram por nós.

Logo depois do riacho, vimos que havia uma trilha alternativa à esquerda que também leva para o refúgio Frey, chegando no meio norte da laguna Tonchek. A trilha oficial chega na ponta leste da laguna.

Como já havíamos percorrido a trilha oficial ao Frey em dezembro de 2018, decidimos explorar esta rota nova, nova para nós.

A trilha não oficial é bem menos larga, mas bem demarcada, sem erros de orientação. A subida continua forte com um pouco de paisagem entre as árvores. Até que…tchã, tchããã! Um lugar lindíssimo aparece.

As cores do outono chegando no Cerro Catedral

Caminhamos em um estonteante vale, ao lado de um riacho, com todo o Cerro Catedral e suas “agujas” ao fundo. Era final de março e outono dava as caras. A vegetação mudava do verde para o amarelo, do amarelo para o laranja, do laranja para o vermelho e do vermelho para o roxo. Era possível apreciar todas essas alterações de cores. Sem dúvidas, o colorido deixou o lugar ainda mais encantador.

Diante deste cenário irresistível, imediatamente fomos procurar um lugar para acampar. O solo alagado não ajudava. Continuamos caminhando e o solo ficou melhor. Percebemos que são poucas as pessoas que percorrem esse caminho, e as poucas pessoas não acampam. Estávamos nos aproximando do Cerro e encontramos um pequeno lugar bem ao lado da trilha, onde encaixamos nossa barraca.

Para nossa surpresa, no final do dia, um casal passou por nós. Não somos os únicos curiosos.

nossa barraca

Se quiser assistir como foi a trilha, veja o vídeo em nosso canal do YouTube:

Dia 2: base Catedral Sul – vale del Rucaco

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
7 km
2h40min
650 metros
700 metros
2040 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 2.

dia 2

Também passamos por:

  • laguna Tonchek
  • laguna Schmoll

Após uma tranquila noite, acordamos e continuamos a trilha pelo vale, rumo à laguna Tonchek.

No final do vale começa um trecho arborizado e alguns locais de acampamento. Após as árvores, vem a subida até um paso de montanha. Lá de cima, ouvimos algumas vozes à esquerda, eram escaladores subindo o El Abuelo. À direita, estava outro ponto de escalada, a Aguja Frey.

escaladores no El Abuelo

Abaixo e seguindo na trilha, a água da laguna Tonchek mudava de coloração conforme a sua profundidade, resultando em um belo tom sobre tom azul.

Aproveitamos para fazer um lanche e depois descemos para a laguna. Um casinha cinza com janelas vermelhas despontava no outro lado da laguna, era o refúgio Frey. Como já conhecíamos o refúgio, fomos para o lado oposto, em direção à laguna Jakob. Neste ponto cruzamos com uma dezena de pessoas.

refúgio Frey na laguna Tonchek

Subimos o terreno pedregoso até surgir a laguna Schmoll, uma pequena laguna no meio da montanha.

laguna Schmoll

Tiramos fotos e continuamos a subida, até outro paso de montanha no Cerro Catedral, onde há um cruzamento à direita de uma trilha que vai até as Aerosillas da Villa Catedral.

Abaixo uma impressionante vista do vale del Rucaco, com o rio percorrendo a vegetação de cor verde, laranja e vermelho.

vale del Rucaco

Descemos até o vale sob pedras escorregadias, em uma descida dura e inclinada. Foi bem cansativo.

No vale, acampamos sozinhos perto de uma pequena queda d’água.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja o vídeo em nosso canal do YouTube:

Dia 3: vale del Rucaco – riacho Casa de Piedra

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
11 km
3h45min
720 metros
1160 metros
1940 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 3.

dia 3

Seguimos entre árvores até o final do Valle del Rucaco, quando cruzamos com alguns córregos e começamos a subir entre pedras e arbustros montanha acima. Como quase todas as montanhas desta região, um terreno pedregoso domina conforme a subimos. Atrás, outra bela imagem do vale del Rucaco, em transformação devido à chegada do outono.

Subimos até um paso de montanha, onde do outro lado avistamos a laguna Jakob e o charmoso refúgio San Martín ao seu lado. Descemos a montanha com suas pedras, com esta vista estonteante.

laguna Jakob

A descida foi bem cansativa, tomando cuidado para não escorregarmos e cairmos.

Entramos na floresta e logo apareceu uma placa indicando que à esquerda estaria o refúgio. Como já conhecíamos a laguna Jakob e o refúgio San Martín, decidimos descer direto em direção ao Tambo de Baez. A descida agora era em um caminho mais agradável, sem pedras, então conseguimos caminhar mais rápidos.

Curioso foi passar por 3 cavalos sozinhos bem no meio da trilha. “Pedimos licença” aos eqüinos e seguimos.

Conforme fomos descendo as montanhas foram crescendo ao nosso lado. Cruzamos algumas vezes o riacho Casa de Piedra e umas cinco pessoas no caminho.

Encontramos um lugar meio escondido, para acampar ao lado do riacho, onde passamos a noite.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja o vídeo em nosso canal do YouTube:

Dia 4: arroyo Casa de Piedra – ponto de ônibus

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
7 km
2h15min
145 metros
480 metros
1120 metros
Leve Moderada

Segue a elevação do dia 4.

dia 4

Também passamos por:

  • Tambo de Baez

Dia de caminhada na floresta até alcançarmos o Tambo de Baez, uma mini vila de moradores quase rurais. Mais alguns passos e cruzamos o riacho Casa de Piedra. Já estávamos na cidade. Fomos até a Avenida Exequiel Bustillo, onde pegamos um ônibus até o centro de Bariloche.

Com esta bela caminhada encerramos nossa Exploração Argentina 18/19. No próximo verão tem mais!

Dicas

  • A melhor época é de janeiro à abril, quando o verão derreteu a neve, tornando a caminhada mais agradável. Vale observar, que janeiro é altíssima temporada e as cidades estarão lotadas e caras. Em abril, haverá a oportunidade de apreciar as cores do outono chegando, mas será um mês mais frio para se banhar nos lagos e rios.
  • Comece a trilha o mais cedo possível, para evitar o forte Sol.
  • É obrigatório o registro para fazer as trilhas no Parque Nacional Nahuel Huapi, apesar de não percebemos nenhum controle e fiscalização. O registro é fácil e rápido, e pode ser feito online ou no guarda parque.

Custos

Seguem alguns custos em pesos argentinos (ARS) e equivalentes em reais (BRL), conforme o câmbio que fizemos.

  • Mercado em Bariloche, comida para trilha, média individual diária: $ARS 245 ($BRL 24)
  • Camping Lago Gutiérrez na Villa Cohuie, diária individual: $ARS 300 ($BRL 30)
  • Hotel Premier em Bariloche, diária casal: $BRL 80

Cotação comercial em 12/3/2019:
$USD 1,00 = $BRL 3,81 = $ARS 41,51

Dados sabáticos

2757 km trilhados
62 cidades
4 países
1 ano e 9 meses

Quer mais?

Nós, Paula Yamamura e Ramon Quevedo, estamos curtindo uma vida sabática desde 2017, focando no que mais gostamos de fazer: viajar trilhando.

Nos acompanhe também em:

 

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