Argentina, Río Negro

LAGUNA LLUM e CERRO DIEGO LEON – trilha indicada pelo guarda parque

Depois de conhecermos o refúgio do Cerro Cónico, ainda tínhamos alguns dias de exploração na Argentina. E não sabíamos ao certo o que fazer no final de nossa temporada de 2019 em Bariloche.

Fomos até o guarda-parque para ver o que teríamos de opções. Para nossa sorte, um rapaz bem entendido nos atendeu, e nos deu uma sugestão que não está no mapa oficial do Parque Nacional Nahuel Huapi: o Cerro Diego Leon.

Juntamos com outras trilhas próximas ao Cerro, e saiu uma baita travessia.

Como chegamos

Em Bariloche pegamos um ônibus que vai até El Bolsón. E pedimos para o motorista parar na beira do lago Mascardi.

É muito importante combinar antes com o motorista, pois nessa parada o motorista não abre o porta-malas. Então a mochila não pode estar no bagageiro.

Resumo do trekking

  • País: Argentina
  • Cidade: Bariloche
  • Início: camping Relmü Lafken
  • Fim: Villa Mascardi
  • Distância total: 61 km
  • Duração: 5 dias
  • Subida acumulada: 4300 metros
  • Descida acumulada: 4300 metros
  • Altitude máxima: 1810 metros
  • Tracklog: Wikiloc
  • Período do trekking: meados de março de 2019
  • Dificuldade: Moderada Pesada

Roteiro

Fizemos o trekking em 4 noites e 5 dias, como segue:

  1. camping Relmü Lafken – riacho La Volteada
  2. riacho La Volteada – laguna Los Césares
  3. laguna Los Césares – camping Los Rápidos
  4. camping Los Rápidos – Cerro Falso Granítico – camping Los Rápidos
  5. camping Los Rápidos – Villa Mascardi

Dia 1: camping Relmü Lafken – riacho La Volteada

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
1,5 + 15 km
5h45min
1030 metros
1070 metros
1140 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 1.

dia 1 Laguna Llum

Também passamos por:

  • playa Leones
  • laguna Llum
  • mirante Isla Corazón

Saímos do camping Relmü Lafken, beirando a praia e logo começa oficialmente a trilha para a laguna Llum.

Até a laguna Llum a trilha está bem aberta. No meio do caminho passamos pela praia Leones.

É um sobe-e-desce até chegarmos na laguna Llum. Infelizmente estava nublado e chuviscando. Vimos alguns lugares para acampar, mas um aviso de proibição estava por lá também.

Continuamos subindo, agora bem mais inclinado, até o outro lado da montanha, onde é possível ver a laguna Llum de um lado, e o lago Mascardi do outro.

Na lago Mascardi há uma ilha que lá de cima, parece um perfeito coração. Lá é o único lugar onde esta ilha parece um coração.

Saindo deste mirante, a descida ficou bem íngreme. No meio da descida passamos por uma área alagada. E descemos até encontrarmos novamente o lago Mascardi.

Margeamos o lago em uma trilha cheia de árvores caídas, até chegarmos em uma praia com uma bela vista ao Cerro Tronador. Acampamos por lá, ao lado do arroyo La Volteada.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja em nosso canal do YouTube:

Dia 2: arroyo La Volteada – laguna Los Césares

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
18 km
5h15min
990 metros
630 metros
1185 metros
Moderada

Segue a elevação do dia 2.

dia 2 praia a lago Los cesares

Também passamos por:

  • arroyo Casalata
  • arroyo Callvuco
  • rio Manso
  • mirante Cascada Los Césares

Acordamos com um intenso nevoeiro cobrindo todo o lago, mas isso não impediu que pescadores aparecessem por lá.

Conforme o Sol se intensificou, o nevoeiro foi expulso, e uma bela paisagem do Cerro Tronador surgiu no horizonte, refletindo sua imagem na água. Foi assim que fomos embora desta praia.

A trilha continua margeando o lago. Foi um trecho bem agradável, com poucos obstáculos no chão e com a vista do imponente Tronador à esquerda. Assim seguimos até chegarmos no arroyo Casalata, onde cruzamos-o.

Depois do Casalata, cruzamos mais dois riachos. No primeiro riacho tivemos que tirar as botas, e por último foi o arroyo Callvuco, onde vimos uma ave diferente e inédita para nós até aquele momento.

Neste ponto não tínhamos mais a vista para o lago, mas a trilha continuava bem agradável, com vistas para as montanhas em nosso redor. Entramos em um trecho da Huella Andina.

Passamos por uma ponte pênsil, onde embaixo corria as águas de impressionante cor verde-água do rio Manso.

Antes de chegarmos em Los Césares, fizemos um pequeno desvio para vermos um mirante. Não valeu a pena. Achei que iríamos ter a vista do rio Manso, mas vimos somente o vale.

Chegamos no campamento Los Césares, que não é um acampamento, é um conjunto habitacional privado.

Atravessamos a Ruta Provincial 81, onde no outro lado começa a trilha para a laguna Los Césares.

Foi uma boa subida. Primeiro paramos no mirante da cachoeira Los Césares. Bonita queda d’água com uma piscina no meio, dividindo a queda em duas partes. A água segue o percurso, dando caminho para um cânion. Nós estávamos em um mirante ao lado do cânion. Infelizmente não é possível acessar a cachoeira.

Quase oposto à cachoeira, o Cerro Tronador aparece.

A trilha continua até chegarmos na cabeceira da queda d’água, onde temos acesso à água.

Depois da cachoeira, continuamos subindo. Passamos pela entrada que dá acesso ao Cerro Cap. Diego de León, atravessamos um riacho e cansados de tanto subir, chegamos na laguna Los Césares.

Não há muitos lugares bons para acampar na laguna, encontramos um mais privado a alguns metros distantes da água.

A laguna é cercada de gramíneas, e por uma vegetação que torna desagradável um banho nela. Também não é uma laguna fotogênica.

Mas é o local de acampamento mais próximo do Cerro Cap. Diego de León, onde fomos no dia seguinte.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja em nosso canal do YouTube:

Dia 3: laguna Los Césares – Cerro Diego León – camping Los Rápidos

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
17 km
6 horas
1120 metros
1460 metros
1810 metros
Moderada Pesada

Segue a elevação do dia 3.

dia 3 Leon

Para nossa decepção, acordamos com um dia totalmente nublado e frio. Sem opções, levantamos acampamento e seguimos.

Neste dia, meu celular estava com 38% de bateria. Sem a energia solar, não pude acompanhar nossa caminhada pelo MapsMe. O que não foi tão ruim, já que este trecho não estava mapeado ainda.

Voltamos pela mesma trilha do dia anterior, até a bifurcação indicando o caminho ao Cerro León.

Foi uma subida íngreme, dentro do bosque, bem demarcada, até chegarmos em um terreno pedregoso sem árvores. A partir deste ponto, seguimos as marcações de bolas azuis pintadas nas pedras, apreciando a paisagem ao redor. No cume, infelizmente, mal ficamos. Depois de cair no chão, sob uma mistura de rajada de vento, nevasca e frio, fomos embora.

A paisagem estava encoberta por nuvens brancas, e mal se percebia a presença do Cerro Tronador no horizonte.

Seguimos na crista da montanha, e mesmo esbranquiçada, a paisagem foi bem impressionante.

Começamos a descer lentamente e entramos no bosque. Percebemos que a trilha estava pouco pisada e era quase virgem. Este trecho não está em nenhum mapa ou placa do parque. O fato de estar quase virgem dificultou muito nossa caminhada. Tivemos que caminhar sobre arbustos, plantas e raízes. Mas também tivemos o prazer de caminhar ao lado de belas flores amarelas.

A descida fica mais íngreme e algumas árvores caídas atrapalham nosso ritmo.

Começamos a ver marcações da Huella Andina e percebemos que estávamos em uma etapa não finalizada. Uma pena.

Seguimos descendo até chegarmos na trilha que liga o lago Los Moscos à Ruta Provincial 81, onde fica o camping Los Rápidos.

Chegamos quase às 20 horas. Armamos nossa barraca, tomamos um necessitado banho quente e jantamos uma milanesa com purê de batatas no restaurante do camping.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja em nosso canal do YouTube:

Dia 4: camping Los Rápidos – Cerro Falso Granítico – camping Los Rápidos

Total percorrido
Tempo sem paradas
Subida
Descida
Altitude máxima
Dificuldade
10 km
4 horas
1170 metros
1170 metros
1760 metros
Leve Moderada

Segue a elevação do dia 4.

dia 4 falso granitico

O início da trilha para o Cerro Falso Granítico, fica bem próximo ao Camping Los Rápidos. Seguimos à esquerda na rua de terra, em direção à ruta 40.

A trilha começa logo após passarmos a segunda ponte.

Como sempre, o início é dentro de um bosque e a trilha é bem inclinada. Caminhando um pouco, entramos em uma área onde houve um incêndio florestal. A ausência de árvores nos permitiu acompanhar a paisagem atrás de nós, com vista para o lago Mascardi.

Passamos por dois córregos de água, onde conseguimos nos abastecer.

No final da caminhada, mas perto do cume, entramos em um solo pedregoso.

Infelizmente esta trilha não estava mapeada no MapsMe, mas estava muito bem demarcada. Somente enquanto estávamos no solo pedregoso, tivemos que prestar um pouco mais de atenção.

Ao chegar no cume, ele apareceu no horizonte, o grandioso Cerro Tronador, o pico mais alto do Parque Nacional Nahuel Huapi.

Saindo do Tronador, o rio Manso desce, cruzando os lagos Los Moscos e Mascardi. E ainda para nos divertir, um Condor tomava Sol em uma pedra próxima de nós.

Depois de curtimos o cume, voltamos para o camping Los Rápidos na mesma trilha que viemos.

Se quiser assistir como foi a trilha, veja em nosso canal do YouTube:

Dia 5: camping Los Rápidos – Villa Mascardi

Dia de caminhada na estrada, com uma carona entre os camping Los Rápidos e La Querencia.

Tivemos sorte do único carro que estava indo na mesma direção que nós, parou e nos deu uma carona. No período da manhã, até aproximadamente 16 horas, o trânsito de veículos em direção à Pampa Linda é intenso. O que era a direção oposta à nossa.

Depois de La Querencia, seguimos a pé pela rua de terra até chegarmos na ruta 40. No caminho passamos pelo guarda parque onde há cobrança de ingresso para a área do Tronador. No nosso caso, não pagamos a entrada, já que chegamos por aquelas bandas a pé na trilha.

Na ruta 40, viramos à esquerda, em direção à Bariloche, por aproximadamente 1 km, até encontrarmos um ponto de ônibus.

Os ônibus que saem de Lago Puelo e El Bolson passam por lá e levam passageiros até Bariloche.

Pegamos um ônibus e assim terminamos mais um trekking na Argentina.

Dicas

  • Antes de subir no ônibus, mostre no mapa onde irá descer ao motorista. Deverá descer quando começa o lago Mascardi. E como não há ponto de ônibus, o ideal é subir no ônibus com a mochila.
  • A melhor época é de janeiro à abril, quando o verão derreteu a neve, tornando a caminhada mais agradável. Vale observar, que janeiro é altíssima temporada e as cidades estarão lotadas e caras. Em abril, haverá a oportunidade de apreciar as cores do outono chegando, mas será um mês mais frio para se banhar nos lagos e rios.
  • Comece a trilha o mais cedo possível, para evitar o forte Sol.
  • É obrigatório o registro para fazer as trilhas no Parque Nacional Nahuel Huapi, apesar de não percebemos nenhum controle e fiscalização. O registro é fácil e rápido, e pode ser feito online ou no guarda parque.

Custos

Seguem alguns custos em pesos argentinos (ARS) e equivalentes em reais (BRL), conforme o câmbio que fizemos.

  • Mercado, comida para trilha, por dia, individual: $ARS 284 ($BRL 28)
  • Ônibus de Bariloche ao lago Mascardi, individual: $ARS 68 ($BRL 7)
  • Camping Relmü Lafken, diária individual: $ARS 230 ($BRL 23)
  • Camping Los Rápidos, diária individual: $ARS 370 ($BRL 37)
  • Restaurante Los Rápidos, 2 milanesas e 1 cerveja: $ARS 1125 ($BRL 112)
  • Ônibus de Villa Mascardi à Bariloche, individual: $ARS 65 ($BRL 6)

Cotação comercial em 12/3/2019:
$USD 1,00 = $BRL 3,81 = $ARS 41,51

Dados sabáticos

2710 km trilhados
62 cidades
4 países
1 ano e 9 meses

Quer mais?

Nós, Paula Yamamura e Ramon Quevedo, estamos curtindo uma vida sabática desde 2017, focando no que mais gostamos de fazer: viajar trilhando.

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