Egito

EGITO – 22 dias no Oriente Médio

Em 2009 viajamos para o lugar mais longe até hoje: Egito.

Mapa Egito

Foi a viagem mais estressante da minha vida.

É um lugar onde a riqueza se concentra nas mãos de poucos e para os outros muitos restam a ‘criatividade’ para se sustentarem. E nessa criatividade, os turistas são alvos. Foi simplesmente infernal o assédio dos egípcios. INFERNAL.

O Egito nos pareceu bem seguro, assaltos ou furtos não presenciamos. O que acontece a toda a hora são os egípcios querendo tirar vantagem o tempo todo. Com exceção de Cairo todas as demais cidades que passamos vimos muita pobreza e o turismo acaba sendo a principal fonte de renda deles. Então quando um turista aparece…. Socorrooooooo… É praticamente uma perseguição. Por onde andamos tem sempre um egípcio na nossa cola tentando vender algo. Pode ser qualquer coisa. Absolutamente qualquer coisa. Inclusive ‘serviços de guia’. Estávamos em um templo e um egípcio que estava no nosso lado apontou para uma parede, e falou qualquer coisa que não entendemos, mas acabamos olhando para onde ele apontou. Até hoje me perguntou porque olhamos aquela parede… O rapaz nos perseguiu até sairmos do templo cobrando o pagamento pelos serviços prestados. Afinal de contas ele foi nosso guia, não é mesmo?!?

Importante falar sobre a roupa que usei. Em todo o Egito eu não mostrei minhas pernas e nem meus ombros. Um dia andei com uma blusinha um pouco mais justa e já queriam me trocar por alguns camelos. Então o melhor para mulheres é ir com roupas largas cobrindo o máximo que puder.

Ficamos ‘só’ 22 dias neste país, onde conhecemos:

1. Cairo

A capital do Egito é uma loucura. Nosso primeiro desafio foi atravessar a rua. Insano. Os carros não respeitam as leis de trânsito, se é que elas existem no Egito. Farol? São completamente ignorados. Sabe os motoqueiros que aparecem do nada em São Paulo? No Egito isso acontece também, mas ao invés de motos são carros mesmos. É inacreditável onde os carros conseguem se enfiar.

E é um barulho de buzina infernal que só pára à noite. Mas ainda bem que pára depois das 20h. Depois de alguns minutos olhando o outro lado da rua e não sabendo como chegar até lá, percebemos que os egípcios simplesmente atravessam a rua sem medo e os carros vão parando. Para não errarmos decidimos colar nos egípcios e atravessar junto com eles. Sobrevivemos.

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Cairo

E para comer? Vimos um KFC bem perto da praça central do Cairo e pensamos ‘estamos salvos’. Ingênuos…. Entramos no KFC e cadê a fila?!? A fila não existe! Era um monte de egípcios amontoados no balcão gritando e nós dois brasileiros levantando as mãos… coitados. Qual a chance de sermos atendidos? Depois de uns 10 minutos desistimos, e saímos do KFC com dinheiro na mão e morrendo de fome.

Ficamos perambulando pelas ruas do Cairo à procura de um restaurante turístico… e nada… Por ser a capital do Egito achamos que Cairo não estava preparada para receber turistas como nós. Não contratamos nenhum guia, fomos por conta própria e foi muito difícil encontrar um restaurante turístico. Até que vimos um restaurante popular e tentamos a sorte.

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Restaurante Felfela (Cairo)

Entramos no restaurante e adivinha? Cardápio em árabe e atendente não falava inglês.

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Restaurante Felfela (Cairo)

Quando decidimos que iríamos simplesmente apontar para qualquer coisa no cardápio apareceu um egípcio, que falava em inglês, para nos ajudar. Ufa… Mas logo percebi que nada é de graça no Egito. O egípcio nos salvou da fome mas em troca, depois de muito blá,blá, blá, pediu para nós comprarmos uma bebida alcoólica para ele levar em um casamento. Os egípcios não podem comprar bebida alcoólica, mas com nossos passaportes, conseguimos comprar bebida em uma loja Duty Free do Cairo. Achamos justo e fizemos a troca… Comida por bebida. Ele nos deu o dinheiro e compramos a bebida para ele se divertir um pouco.

A comida que comemos era mais ou menos como o prato abaixo. Parece feia, mas estava uma delícia. É tipo o PF do Egito.

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Outro ponto em Cairo que se destaca foi a vestimenta das pessoas. Nas outras cidades, todos pareciam usar pijamas beges ou marrons o tempo todo, com sandálias velhas e pés super encardidos. Em Cairo, as moças estavam super bem vestidas com sapatos de saltos altos e unhas pintadas, e os rapazes se vestiam como americanos. E o assédio ao turista era infinitamente menor. Tanto é que quase passamos fome no Cairo.

O que fizemos em Cairo? É a porta de entrada do Egito, é onde estão as pirâmides de Gizé, onde contratamos o passeio para o Deserto do Saara e onde está o museu do Cairo. Em 4 dias você faz tudo isso.

2. Pirâmides de Gizé

Fica pertinho do Cairo e não tem jeito, você tem que ir lá. Ir para o Egito e não visitar as pirâmides, é como não ir. Vá de coração aberto para dar gorjetas e tudo sairá bem.

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Pirâmides Gizé

Foi lá que vi pela primeira vez uma pintura egípcia, foi emocionante ver o trabalho do homem de aproximadamente 4.000 anos atrás. Depois de 22 dias no Egito, visitando outras tumbas, cheguei à conclusão que para um turista leigo, quem vê uma pintura já viu todas.

3. Pirâmides de Saqqara

Não entramos dentro das Pirâmides de Gizé, pois tinha muita gente e como planejamos visitar outras pirâmides, acabamos deixando para visitar internamente uma pirâmide em Saqqara (abaixo), que estava mais tranquilo e é perto de Cairo. Não recomendo para quem tem claustrofobia, pois o ar parece ‘viciado’ e cheira um pouco mal. Mas muito interessante ver o que sobrou do legado dos faraós.

4. Alexandria

Pegamos um trem em Cairo e fizemos um bate-e-volta em Alexandria.

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Alexandria foi fundada pelo Alexandre o Grande, em 332 a.C e é a segunda maior cidade do Egito.

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O que mais me impressionou em Alexandria foi a Biblioteca. Quando cruzamos a entrada da biblioteca parecia que estávamos entrando em um portal mágico e indo para o primeiro mundo.

Também conhecemos o anfiteatro romano, que me fez esquecer que estava no Egito e me fez lembrar de Roma…

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Anfiteatro Romano

Aproveitamos para conhecer uma mesquita. Durante toda a viagem senti um desconforto por ser mulher. Os egípcios não falavam comigo, somente com Ramon. Quando falávamos que não éramos casados, percebia uma risadinha disfarçada. E na mesquita não podia ser diferente. Eu não podia entrar no salão principal, era privilégio somente dos homens. O local permitido para mulheres era um cubículo que ficava ao lado. Mas o mais interessante foi um egípcio tentar nos converter na frente da mesquita. Pelo menos esse falou comigo…

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5. Mar Vermelho

Foram 7 dias maravilhosos (sim! MARAVILHOSOS!) a bordo de um iate, no meio do mar, bem longe do assédio dos egípcios. Foi uma delícia.

O iate saiu da cidade litorânea Hurghada.

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Hurghada (Egito)

Mas o que fez esta parte da viagem ser realmente maravilhosa foi o mar. Mergulhamos todos os dias em um mar lindo com uma vida selvagem diferente do que estávamos acostumados, como ver o Nemo e seu pai. E ainda fomos abençoados com a visita de vários golfinhos.

No primeiro mergulho já vi um peixe leão. Subi saltitante na embarcação falando que vi um peixe leão e percebi que o guia me olhou com certo desprezo. Depois fui entender o ‘desprezo’: peixe leão no Egito é igual banana no Brasil, tem em todo lugar.

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Peixe Leão (Mar Vermelho)

A maioria do mergulho era em naufrágios.

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Naufrágio no Mar Vermelho (Egito)

Mas também mergulharmos em corais.

A rotina era: dormir, acordar, mergulhar, café da manhã, dormir, acordar, mergulhar, almoço, dormir, acordar, mergulhar, chá da tarde, dormir, acordar, mergulhar, jantar e dormir para começar tudo de novo no outro dia. Delícia de vida.

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Mergulhando no Mar Vermelho (Egito)

Depois dessa viagem maravilhosa em um iate, tive que voltar à realidade egípcia e pegar um ônibus para nosso próximo destino: Luxor. Na rodoviária decidi ir ao banheiro. Grande erro. Cheguei na porta do banheiro, estava um homem mijando em um buraco no chão. Ainda bem que ele estava de costas e não me viu. Saí correndo,  morrendo de vontade de fazer xixi e não tinha onde. Tive que ir no banheiro delicioso do ônibus mesmo.

6. Luxor

Ao chegar em Luxor fomos para o hotel que havíamos reservado anteriormente. Socorroooo! Entrei no quarto e havia um buraco na parede. Lugar bem sujo. Jamais esquecerei da minha conversa com Ramon.

Ramon: `Por 5 dólares a diária, está ótimo’

Eu: ‘Pagou caro! Nem de graça eu fico aqui!!!’

Pegamos nossas malas e fomos embora. Deixamos os 5 dólares por lá mesmo. Ainda bem que viramos a esquina e encontramos um hotel decente.

Em Luxor a melhor lembrança foi o passeio de balão. Saímos de madrugada para ver o nascer do sol. Vale a pena.

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A outra lembrança inusitada foi o Ramon ter jantado pombo. Nheca… Mas tirando o pombo gostei do restaurante. O mais incomum no restaurante era a dona: uma loira ocidental.

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E quem está em Luxor tem que ir no Templo de Luxor. Pensar que esse templo foi erguido por volta de 1400 a.C e ainda tem parede inteira até hoje, é de arrepiar.

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O próximo destino era Aswan. Decidimos contratar um motorista para nos levar de carro e ir parando nos templos no caminho. O que não falta no Egito são templos.

7. Aswan

Viajamos para o Egito na época do Natal. Foi no hotel de Aswan que vi umas das poucas árvores de Natal.

O objetivo de ir até Aswan é chegar até o templo Abu Simbel. Mas foi uma estadia confortável, o hotel era de frente ao Rio Nilo e foi possível apreciar a paisagem de nosso quarto.

8. Abu Simbel

Saímos de Aswan bem cedo e fomos para Abu Simbel, em um passeio de um dia.

É um templo que fica na divisa entre Egito e Sudão. Ele foi construído pelo faraó Ramsés II (1303-1213 AC).

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Abu Simbel

Mas o que mais impressiona foi que este templo foi transferido de lugar, na década de 1950 pelo homem moderno, para evitar que fosse inundado após a construção de uma barragem. Vale a pena visita.

De lá voltamos para Aswan e pegamos um trem noturno para voltar para Cairo.

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Dormindo no trem de Aswan até Cairo

9. Deserto do Saara

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O deserto do Saara é o maior deserto quente do mundo com 9.065.000 km² (a área mais desértica do mundo é a Antártica).

Contratamos um passeio no Cairo para conhecer o deserto, antes de irmos embora do Egito. No caminho paramos em uma ‘lanchonete‘ o que seria o equivalente ao ‘Frango Assado’ ou ao ‘Graal’ do Egito.

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Lanchonete na beira da estrada (Egito)

À noite os guias prepararam um jantar, enterrando a comida com papel alumínio para cozinhá-la e jantamos no calor de uma fogueira.

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Dormimos no deserto uma noite, bem no estilo Roots, sem barraca, somente com tapete no chão + saco de dormir + tapete em cima. Se não fosse os dedos do meus pés frios, teria dormido super bem.

Ao acordarmos no dia seguinte vimos algumas pegadas em volta de nós. É melhor nem saber o que era…

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E assim nos despedimos do Egito.

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Camelo no Egito

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